O Conselho de Comissários de Dallas, no Texas, nos Estados Unidos, declarou oficialmente a inocência de Tommy Lee Walker, um homem negro executado na cadeira elétrica em 1956 por um crime que ele não comentou.
A decisão foi tomada na quarta-feira (21/1), sete décadas após sua condenação pelo estupro e assassinato de Venice Parker, uma mulher branca que foi agredida e morta em 1953 em Dallas enquanto aguardava um ônibus após o expediente em uma loja de brinquedos. Walker tinha apenas 19 anos quando foi sentenciado à morte em 1954.
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O Tribunal de Dallas reconheceu que a condenação e execução de Walker representaram “profundas injustiças”. A revisão do caso foi realizada pela Promotoria do Condado de Dallas em parceria com o Innocence Project e a Faculdade de Direito da Universidade Northeastern. O Innocente Project é uma organização sem fins lucrativos com 68 sedes ao redor do mundo que enfrenta condenações de inocentes.
“A prisão, o interrogatório, o processo e a condenação do Sr. Walker foram fundamentalmente comprometidos por provas falsas ou não confiáveis, táticas coercitivas de interrogatório e preconceito racial”, diz o documento divulgado pelo Innocence Project.
A condenação injusta ocorreu em um ambiente marcado por preconceito racial. Henry Wade, promotor responsável pelo caso na época, foi identificado como autor de 20 condenações injustas de homens negros inocentes.
Will Fritz, chefe do Departamento de Homicídios da Polícia de Dallas que efetuou a prisão de Walker, foi apontado pelo Innocence Project como integrante da Ku Klux Klan, organização supremacista branca dos Estados Unidos conhecida pelo uso do terrorismo e da violência, incluindo linchamentos e assassinatos de minorias, para impor sua visão de uma América branca e protestante.
Entenda o caso
O crime aconteceu em 1953, quando Venice Parker foi agredida perto do aeroporto Dallas Love Field. Ela trabalhava em uma loja de brinquedos e foi atacada enquanto esperava um ônibus após seu expediente. Ela foi levada a um hospital local, onde faleceu devido aos ferimentos sofridos.
Um policial que conseguiu entrevistar Venice Park antes dela morrer afirmou que ela identificou um homem negro como o agressor.
Duas supostas testemunhas afirmaram que viram o jovem Walker na região do crime, mas não presenciaram a cena. Tommy Lee Walker, por sua vez, se declarou inocente e tinha um álibi: ele estava no hospital acompanhando o nascimento de seu filho.
Esse fato foi confirmado por dez testemunhas, mas mesmo assim Walker foi condenado em 1954 e executado dois anos depois. Diante de ameaças, ele assinou duas declarações confissando o crime, que depois foram confirmadas como manipuladas pela polícia.
A inocentação oficial de Tommy Lee Walker só aconteceu em 21 de janeiro de 2026, com a aprovação da resolução pelo Conselho de Comissários de Dallas.
Edward Smith, filho único de Walker, expressou sentimentos ambivalentes sobre a decisão: “Foi difícil crescer sem um pai. Isso não vai trazê-lo de volta, mas agora o mundo sabe que ele era inocente. E isso traz um pouco de paz.”
