O caso José Martínez já ultrapassou o limite do tolerável no Corinthians. O prazo dado pelo clube para a reapresentação do volante venceu nesta sexta-feira, 23 de janeiro, e o jogador simplesmente não voltou. Não apareceu. Não avisou. E, pior, segue inalcançável.
Martínez foi à Venezuela no fim do ano alegando problemas burocráticos com documentação. A justificativa, no início, era compreensível. O problema é que o tempo passou, a temporada começou, jogos foram disputados e a situação deixou de ser administrativa para virar institucional. Um atleta profissional não pode desaparecer do planejamento do clube sem dar satisfação — ainda mais quando o treinador afirma publicamente que não consegue contato.
Após o clássico contra o Santos, Dorival Júnior foi direto ao ponto: não fala com Martínez, não tem retorno, não tem previsão. Em outras palavras, trabalha no escuro. Para um técnico que preza por controle de grupo e disciplina, isso é mais do que incômodo. É inadmissível.
Não se trata de um garoto em início de carreira. Martínez tem 31 anos, rodagem no futebol internacional e contrato longo com o Corinthians. Experiência, nesse caso, deveria significar responsabilidade. Mas o histórico recente do jogador mostra justamente o contrário: atrasos, episódios de indisciplina e agora uma ausência prolongada que constrange o clube e expõe a comissão técnica.
O Corinthians, mais uma vez, parece refém de uma situação criada por falta de pulso firme. A direção aguarda, tenta entender, releva. Enquanto isso, o elenco segue trabalhando sem saber se conta ou não com um atleta que, no papel, ainda faz parte do grupo. Em um clube pressionado por resultados, finanças e ambiente interno, isso vira combustível para desgaste.
A pergunta que fica já não é quando Martínez volta. A pergunta é porque o Corinthians ainda aceita normalizar esse tipo de comportamento. Jogador que não responde ao treinador, não cumpre prazo e não se reapresenta não é solução. É problema. E insistir nessa continuidade é errar duas vezes.
