Israel afirmou que a reabertura da passagem de Rafah deverá acontecer após a conclusão de uma operação militar no norte da Faixa de Gaza para localizar os restos mortais do último refém, Ben Gvili. A operação começou no domingo (25/01) e pode se estender por vários dias, conforme reportagem da BBC com base em informações de autoridades israelenses.
A passagem fronteiriça entre Gaza e Egito está majoritariamente fechada desde maio de 2024, quando forças israelenses assumiram o controle do lado palestino.
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Militares israelenses iniciaram “uma operação direcionada na área da Linha Amarela no norte da Faixa de Gaza” para recuperar o corpo do policial. Segundo a mídia local, as buscas estão sendo realizadas em um cemitério na Cidade de Gaza, especificamente nas áreas de Shejaiya e Daraj Tuffah, a leste da Linha Amarela, que demarca o território ainda sob controle israelense conforme o acordo de cessar-fogo.
A operação mobiliza unidades especializadas, incluindo rabinos, equipes de busca e especialistas odontológicos equipados com máquinas de raio-X móveis. As forças israelenses baseiam suas ações em informações de inteligência coletadas durante um período prolongado.
O gabinete do primeiro-ministro israelense informou que o país “concordou com uma reabertura limitada da passagem de Rafah apenas para pedestres, sujeita a um mecanismo de inspeção israelense completo”.
“Após a conclusão desta operação, e de acordo com o que foi acordado com os EUA, Israel abrirá a passagem de Rafah”, acrescentou o comunicado oficial.
A reabertura da passagem de Rafah integra o plano de paz proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump. No sábado (24/01), uma delegação americana liderada pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro de Trump, reuniu-se com Netanyahu para discutir a implementação da segunda fase do plano de paz para Gaza.
A ala militar do Hamas, as Brigadas Izzedine al-Qassam, afirmou no domingo que “forneceu aos mediadores todos os detalhes e informações em nossa posse sobre a localização” do corpo de Gvili. O grupo acrescentou que as forças israelenses estavam “procurando em um dos locais”.
A família de Gvili manifestou forte oposição à reabertura da passagem antes que seus restos mortais sejam devolvidos a Israel. “Primeiro e acima de tudo, Ran deve ser trazido para casa”, declararam.
Ran Gvili, policial de 24 anos, foi morto no Kibutz Alumim durante o ataque liderado pelo Hamas no sul de Israel em 7 de outubro de 2023. Seu corpo foi levado para Gaza como refém e desde então não foi devolvido às autoridades israelenses.
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O conflito foi desencadeado pelo ataque de 7 de outubro de 2023, quando aproximadamente 1.200 pessoas foram mortas e 251 outras foram levadas para Gaza como reféns. Em resposta, Israel lançou uma campanha militar no território, durante a qual mais de 71.650 pessoas foram mortas, segundo o ministério da saúde de Gaza, administrado pelo Hamas.
Witkoff descreveu a reunião com Netanyahu como “construtiva e positiva”. A primeira fase do plano de paz incluiu o cessar-fogo, a troca de reféns israelenses por palestinos detidos em prisões israelenses, uma retirada parcial israelense e aumento na ajuda humanitária. A segunda fase prevê um governo tecnocrático palestino em Gaza, reconstrução e desmilitarização completa do território, incluindo o desarmamento do Hamas e outros grupos.
