Os líderes europeus aprovaram um acordo com o Mercosul. No entanto, para ter força legal, é preciso que seja ratificado pelo Parlamento Europeu, que é onde esse acordo enfrenta resistência.
Na semana passada, deputados europeus, muito liderados pela França e Espanha, saíram em defesa dos agricultores e votaram a favor de enviar o texto do acordo para o Tribunal de Justiça da União Europeia para que a corte, então, avalie a legalidade dele, o que poderia atrasar a ratificação em até dois anos.
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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que pretende implementar temporariamente o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, manifestou apoio à iniciativa de Von der Leyen. A medida seria possível graças a uma brecha legal, embora não seja um procedimento comum nas instituições europeias. Von der Leyen afirmou que diversos líderes europeus solicitaram a implementação temporária nos últimos dias.
A possibilidade de avançar sem a ratificação do Parlamento Europeu representa uma medida incomum no contexto da União Europeia, onde tradicionalmente se valoriza o respeito aos procedimentos legais e às decisões de outras instituições. Então isso mostra que realmente Ursula von der Leyen está disposta, digamos, a criar esse conflito para implementar o acordo quanto antes.
A situação evidencia uma clara divisão entre os países europeus quanto ao acordo com o Mercosul. Antes da votação entre os líderes europeus, a França se posicionou contra o tratado comercial. A Itália, inicialmente indecisa, acabou apoiando o acordo.
Alemanha e Espanha defenderam a aprovação desde o início das discussões. Após o anúncio de Von der Leyen, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, manifestou apoio à implementação temporária do acordo, alinhando-se à posição liderada pelo chanceler alemão.
O presidente da Hungria, Viktor Orbán, publicou um vídeo na plataforma X criticando o acordo, em que disse que os produtos baratos do Mercosul e da Ucrânia beneficiam apenas quem faz comércio, não os agricultores europeus, e que é o momento dos agricultores europeus se unirem.
Paralelamente às discussões sobre o Mercosul, Von der Leyen e Costa estão na Índia para negociações comerciais. A Índia, maior importadora mundial de armamentos, representa um mercado significativo para a indústria de defesa europeia, com possibilidades para contratos de venda de equipamentos militares como submarinos alemães e jatos franceses.
Esta estratégia da União Europeia de buscar novos parceiros comerciais visa reduzir sua dependência dos Estados Unidos, especialmente considerando o atual estado das relações com o governo de Donald Trump.
Ainda não está claro se os países do Mercosul concluirão rapidamente seus procedimentos legais internos, condição estabelecida por Von der Leyen para a implementação temporária do acordo.
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