O calor intenso, as praias lotadas e o consumo de alimentos de rua são marcas registradas do verão brasileiro. No entanto, a combinação desses fatores eleva significativamente o risco de viroses e intoxicações alimentares. Em entrevista ao Link TMC, o biólogo e microbiologista Bruno Brunetti detalhou os principais cuidados que os banhistas devem ter com o chamado Norovírus e com o consumo de petiscos tradicionais, como o queijo coalho e o açaí.
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A resistência do Norovírus
Embora não seja um vírus novo, o Norovírus possui características que facilitam sua disseminação em ambientes costeiros. Segundo Brunetti, o patógeno é altamente resistente:
- Sobrevivência: permanece viável em superfícies por dias e tolera variações bruscas de temperatura.
- Água do Mar: o vírus consegue sobreviver na água salgada por longos períodos.
A contaminação das praias é agravada pelo despejo irregular de esgoto no mar. O especialista alerta que a infecção não ocorre apenas pela ingestão acidental da água (o famoso “caldo”), mas também pelo contato com as mucosas. “A mucosa da boca e dos olhos absorve partículas virais muito facilmente, permitindo o acesso do vírus ao organismo”, explicou o biólogo. Os sintomas clássicos da infecção incluem diarreia e vômitos intensos.
Alimentos na praia: onde mora o perigo?
Além da água imprópria, a manipulação inadequada de alimentos é um vetor crítico de doenças. O microbiologista destaca que o problema muitas vezes é estrutural: vendedores ambulantes nem sempre têm acesso a locais para higienizar as mãos corretamente entre um atendimento e outro.
Os principais riscos estão associados a:
- Água contaminada: utilizada no preparo de alimentos ou sucos.
- Mãos não higienizadas: eisco de contaminação cruzada.
- Armazenamento incorreto: alimentos expostos ao sol ou fora da refrigeração adequada.
O mito do queijo coalho
Um dos pontos altos da entrevista foi o esclarecimento sobre o queijo coalho assado na brasa. Existe a crença popular de que o fogo “mata tudo”. Brunetti contesta essa ideia.
Para eliminar microrganismos patogênicos, o alimento precisa atingir, em sua totalidade, uma temperatura de pelo menos 70°C. “O fato de o queijo estar tostado por fora não garante que o interior tenha atingido a temperatura de segurança necessária para a esterilização”, pontuou. Além disso, a contaminação pode ocorrer antes mesmo de o queijo ir ao fogo, durante o armazenamento ou manuseio pelo vendedor.
Como minimizar os riscos?
O especialista ressalta que, em um ambiente de praia, é difícil garantir 100% de segurança alimentar — ele mesmo relatou, de forma anedótica, ter consumido alimentos em condições duvidosas durante uma viagem. No entanto, a prevenção é possível através da observação.
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A recomendação principal é analisar a higiene do local e do vendedor.
- Observe se há limpeza visível nos utensílios e na estrutura de venda.
- Verifique se o vendedor manipula dinheiro e alimento sem higienizar as mãos.
- Dê preferência a alimentos industrializados lacrados ou leve lanches preparados em casa, armazenados corretamente em caixas térmicas.
“A higiene nos mantém longe de 99% dos problemas”, concluiu Brunetti, reforçando que, embora nem todos os ambulantes trabalhem de forma irregular, a falta de infraestrutura na areia torna a segurança sanitária um desafio constante.
