Matheus Silveira, brasileiro detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), foi transferido entre centros de detenção sem qualquer notificação à família sobre seu paradeiro. A transferência ocorreu nesta segunda-feira (26/01), após mais de dois meses de detenção do brasileiro, que aguarda deportação. Hannah Silveira, esposa americana de Matheus, perdeu contato com o marido depois de uma conversa na noite de domingo.
A advogada do brasileiro conseguiu informações apenas na noite de segunda-feira, confirmando que Matheus foi transferido de San Diego para El Paso, no Texas. Segundo apuração do g1 e da GloboNews, nesta terça-feira (27/01), ele seguirá para Louisiana, de onde aguardará um voo de deportação para o Brasil.
Acesse o canal da TMC no WhatApp para ficar sempre informado das últimas notícias
Durante toda a segunda-feira, familiares não conseguiram localizar Matheus, cujos dados desapareceram do sistema de imigração norte-americano. Hannah descobriu que algo estava errado quando tentou enviar uma mensagem pelo aplicativo usado pelos detentos para comunicação e percebeu que a conta do marido havia sido desativada.
“Eu falei com o Matheus ontem e ele chegou a comentar que algumas pessoas estavam sendo levadas no meio da noite para a Louisiana e já tinha me preparado para o fato de que, em algum momento no futuro próximo, talvez eu não conseguisse mais falar com ele“, relatou Hannah.
Ao questionar o centro de detenção sobre o paradeiro do marido, ela recebeu como resposta: “Eu não sei onde ele está. Ele não está mais no sistema, talvez esteja em algum processo de liberação.”
Detenção ocorreu durante entrevista para green card
Matheus foi preso em 24 de novembro de 2025, quando compareceu a uma entrevista para obtenção de residência permanente em um escritório do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos. A detenção aconteceu porque seu visto de estudante F-1 havia expirado em 2023.
O brasileiro havia dado entrada no processo para obtenção do green card em 2024, após seu casamento com Hannah, cidadã americana. O casal mantém relacionamento desde 2022 e oficializou a união em 2024.
Hannah serviu ao Exército dos EUA por dois anos como paramédica e agora planeja se mudar para o Brasil após a deportação do marido. Ela desabafou: “É de partir o coração saber que dei tanto pelo meu país e eles não têm problema nenhum em me tirar o meu marido e me forçar a escolher entre o meu país e o meu marido”.
Durante os dois meses de detenção, Matheus permaneceu em condições precárias. Segundo relatos da família, ele chegou a dormir no chão por dias devido à superlotação em uma cela projetada para 16 pessoas. Hannah também informou que o marido perdeu peso pela alimentação inadequada.
Na semana passada, Matheus assinou um acordo de saída que o impede de retornar aos Estados Unidos pelos próximos 10 anos. Não há informações oficiais sobre a data exata em que será deportado para o Brasil.
O pai do brasileiro busca apoio das autoridades brasileiras: “Estamos tentando junto ao consulado brasileiro em Los Angeles algum tipo de providência para que, ao chegar em Louisiana, o Matheus tenha seus direitos respeitados e possa retornar em voo comercial nos próximos dias”.
Segundo ele, como a saída voluntária foi autorizada por um tribunal, seu filho teria direito de retornar ao Brasil em voo comercial, não em voo de deportação.
Matheus demonstrou ansiedade com o processo de transferência, conforme relatado por Hannah: “Ele está muito ansioso com a possibilidade de ser enviado para um lugar para onde ele não deveria ir. Ele não sabe se vão mandá-lo para o Brasil”.
Leia mais: Gregory Bovino é afastado do comando da imigração em Minneapolis
Luciana de Paula, mãe de Matheus, expressou sua angústia com a situação: “Dois meses dele nessa situação é muito tempo, é muito tempo para mim, é muito tempo para ele, é muito tempo para todos nós. Então, a gente só tá pensando agora na chegada dele aqui, urgente, o mais rápido possível”.
Segundo Luciana, Matheus tem o sonho de ser piloto de avião, curso que começou no Brasil e pretendia continuar nos Estados Unidos. Após a deportação, Hannah terá que recomeçar sua vida profissional no Brasil, já que sua formação em Direito não tem certificação no país.
A família contestou a classificação feita pela porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, que se referiu a Matheus como “estrangeiro ilegal criminoso do Brasil”, afirmando que ele não possui qualquer anotação criminal.
