Fundado na semana passada no Fórum Econômico de Davos, o Conselho da Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, teve a sua primeira resolução.
Há mais de 20 anos eu olho, estudo e acompanho resoluções da ONU. É algo atípico, nunca tinha visto uma resolução que tem uma assinatura de um líder só. Obviamente, de Donald Trump.
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A primeira resolução sobre Gaza cria, no fundo, um governo para Gaza. A questão é que esse governo tem uma administração totalmente nomeada por Donald Trump, que vai ser comandada por um general americano. Trump tem o direito de controlar os recursos financeiros desse novo projeto e, acima de tudo, de todo o projeto de reconstrução de Gaza.
O Conselho da Paz é o Conselho de Donald Trump e, no caso de Gaza, é uma espécie de protetorado que se estabelece com ele mandando e desmandando. Isso tudo sem qualquer tipo de fiscalização e monitoramento independente ou internacional. É isso que diz a primeira resolução do Conselho da Paz.
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O plano da “Nova Gaza” é muito bem detalhado. Já se sabe, inclusive, o número de edifícios que serão construídos: 180. A pergunta que fica, no entanto, é: “Quem irá morar naquele local?”. Para quem será vendido aqueles apartamentos?
Temos cerca de 2 milhões de palestinos que sobrevivem em Gaza hoje, sem recursos para comprar comida. Então, obviamente, uma grande pergunta é colocada justamente sobre o destino da população de Gaza. Ao final desta resolução que tive acesso está escrito: “A população de Gaza está livre para ir embora se quiser”.
Um outro elemento importante dessa história é que neste Conselho da Paz não há nenhuma autoridade palestina. Não há ninguém do âmbito político palestino envolvido nesta reconstrução de Gaza. As autoridades palestinas estão excluídas. A população de Gaza é só um detalhe e toda a estrutura montada é absolutamente nomeada por Donald Trump.
