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Marina Izidro
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Jornalista com experiência em coberturas internacionais, Marina Izidro acompanha de perto os desdobramentos políticos, sociais e econômicos do continente europeu. Sua coluna traz as notícias mais relevantes da Europa, com foco nas movimentações do Reino Unido e da União Europeia, impactando a economia e a cultura global.

Redes sociais, fake news e desinformação desafiam a memória do Holocausto

Nos últimos anos, há uma onda de desinformação e de fake news sobre o holocausto, sobre Hitler e é um conteúdo que chega nos jovens

No dia 27 de janeiro de 1945 as tropas soviéticas libertaram o campo de extermínio de Auschwitz na Polônia, que era usado pela Alemanha nazista.

Em homenagem a esse marco histórico, a ONU há alguns anos designou esta data como dia internacional de lembrança, chamado de “Dia em Memória das Vítimas do Holocausto”.

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É algo muito importante em toda a Europa, é um dia de prestar homenagens, de ouvir os sobreviventes. Na Alemanha, por exemplo, o parlamento alemão faz anualmente uma cerimônia em que eles convidam o sobrevivente do holocausto para dar o seu depoimento.

Só que nos últimos anos e hoje isso tá acontecendo de novo, existe uma preocupação grande acerca desse tema e uma grande responsável são as redes sociais.

Isso porque, nos últimos anos, há uma onda de desinformação e de fake news sobre o holocausto, sobre Hitler e é um conteúdo que chega nos jovens. Então a gente tem uma nova geração que tá aprendendo errado sobre o que que aconteceu naquela época.

O Centro de Educação do Holocausto da University College em Londres fez uma pesquisa, entrevistou 2800 estudantes de escolas secundárias da Inglaterra e revelou que 60% deles viram alguma informação não verificada sobre o Holocausto no TikTok, Instagram, YouTube, quando eles nem estavam procurando.

Ainda segundo a pesquisa, 20% desses jovens disseram que confiavam muito nas redes sociais e quase 40% que não confiavam nos seus professores.

Então é comum na Europa que sobreviventes do Holocausto vão às escolas conversar com os alunos. Só que o que acontece também, esses idosos estão morrendo, então essa interação com a história verdadeira tá diminuindo.

Felizmente existem alguns projetos, eu conheço alguns aqui no Reino Unido para levar o conhecimento através da inteligência artificial e da realidade virtual. Nesses projetos, esses sobreviventes são entrevistados por vídeo, por exemplo.

É uma forma de preservar essa memória para sempre. Em datas como essa, eu acho que volta esse debate por aqui, da importância de se preservar a memória dessas pessoas e a história da humanidade.

A gente está perdendo uma briga com as redes sociais, que é o conteúdo ruim, a desinformação, a fake news, ela espalha muito mais rápido do que a parte boa. Então, a a preocupação com a desinformação online é algo muito grande por aqui.