União Europeia incluirá Guarda Revolucionária do Irã em lista de organizações terroristas

Decisão anunciada por Kaja Kallas equipara grupo militar iraniano a organizações como Al-Qaeda, Hamas e Daesh, além de impor novas sanções contra indivíduos que reprimiram manifestantes

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration)

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, anunciou que o bloco incluirá a Guarda Revolucionária do Irã em sua lista de organizações terroristas. A decisão foi comunicada nesta quinta-feira (29/01) e vem acompanhada de novas sanções contra indivíduos que “praticaram violência contra manifestantes no país”.

Segundo Kaja Kallas, a classificação colocará a Guarda Revolucionária iraniana no mesmo patamar de outras organizações já consideradas terroristas pelo bloco europeu. “Estamos impondo novas sanções ao Irã e também prevejo que incluiremos a Guarda Revolucionária Islâmica em nossa lista de organizações terroristas“, declarou a chefe da diplomacia.

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A autoridade europeia destacou que esta medida equiparará o grupo militar iraniano a outras organizações extremistas. “Isso os colocará no mesmo patamar que a Al-Qaeda, o Hamas e o Daesh”, afirmou Kallas, acrescentando: “Se você age como terrorista, também deve ser tratado como terrorista.”

A decisão da UE surge em resposta à repressão violenta aos protestos ocorridos no Irã. De acordo com dados da agência Reuters, cerca de 5 mil pessoas morreram durante as manifestações que se estenderam por mais de 20 dias no território iraniano.

Os protestos começaram motivados pela crise econômica e pelo alto custo de vida. Com o tempo, as manifestações evoluíram para pedidos de fim do regime dos aiatolás, que governa o país há mais de quatro décadas com leis repressivas, principalmente contra as mulheres.

A situação provocou reações no cenário internacional, incluindo ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de atacar o Irã. As autoridades iranianas, por sua vez, negam responsabilidade pelas mortes e acusam os próprios manifestantes de incitar a violência, além de apontarem os EUA como responsáveis por infiltrar agentes nos protestos.

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, condenou as manifestações e afirmou que as autoridades iranianas “têm a obrigação de quebrar as costas dos insurgentes”. Ele também responsabilizou Donald Trump pelas mortes ocorridas durante a repressão.

“Não pretendemos levar o país à guerra, mas não perdoaremos os criminosos domésticos (…) assim como não perdoaremos os criminosos internacionais, piores que os domésticos”, declarou Khamenei a apoiadores durante uma festividade religiosa. “A nação iraniana deve quebrar as costas dos insurgentes, da mesma forma que quebrou a insurreição”, acrescentou o líder supremo.

A União Europeia ainda não definiu quando implementará oficialmente estas medidas, nem especificou quais indivíduos serão alvo das sanções anunciadas. Com esta classificação, a Guarda Revolucionária enfrentará restrições como congelamento de bens e proibições de viagem para seus membros.

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