O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, admitiu à Polícia Federal que sua instituição enfrentou uma crise de liquidez que impossibilitou o ressarcimento imediato de R$ 12 bilhões ao Banco de Brasília (BRB). Em depoimento prestado nesta sexta-feira (30/1), Vorcaro declarou ter sido “pego de surpresa” com o cancelamento da operação que envolvia repasse de créditos bancários entre as instituições.
A PF investiga o caso como possível gestão fraudulenta. Segundo os investigadores, o Banco Master transferiu ao BRB direitos sobre empréstimos que nunca foram efetivamente realizados. A operação tinha como objetivo aumentar a liquidez do Master para honrar pagamentos de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com vencimento previsto para o início de 2025.
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“O caso da Tirreno [empresa que emitiu os créditos bancários], o que aconteceu foi que a gente realmente foi pego de surpresa na questão de um desfazimento no volume grande”, explicou Vorcaro durante seu depoimento.
O depoimento de Vorcaro aconteceu durante uma acareação com Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. O procedimento faz parte das investigações sobre as transações entre as duas instituições financeiras, que envolvem o Banco Master, sediado em São Paulo, e o BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal.
Quando questionado pelos agentes federais sobre a não devolução dos recursos após o cancelamento da operação, conforme previa o contrato, o banqueiro justificou que o montante era expressivo demais para ser movimentado sem planejamento adequado.
Diante da impossibilidade de liquidar a operação em dinheiro, o Master transferiu diversos ativos para o BRB. Paulo Henrique Costa confirmou durante a acareação que esta foi a solução encontrada para cobrir o déficit deixado pela operação cancelada. A investigação indica que muitos desses ativos repassados são considerados de baixa liquidez, o que significa que dificilmente podem ser convertidos em dinheiro rapidamente.
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Em sua defesa, Vorcaro afirmou que o banco cumpriu seus compromissos até determinado momento. “A gente, até o dia 17 de novembro, a gente honrou todos os pagamentos, todos os resgates do banco. Óbvio, com dificuldade, com planejamento, porque a gente estava vivendo um momento de crise de liquidez”, declarou o banqueiro, acrescentando: “Até o dia 17 não existiu um cliente que pediu resgate ou que tinha algum compromisso do banco que não tenha sido honrado.”
