Ailton Aquino, diretor do Banco Central, revelou que o Banco Master possuía apenas R$ 4 milhões em caixa antes da decretação da liquidação extrajudicial da instituição.
A informação foi divulgada em depoimento prestado em 30 de dezembro, cujos vídeos foram tornados públicos nesta quinta-feira (29/01) pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
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Segundo Aquino, o valor em caixa não era compatível com o esperado para uma instituição classificada como de médio porte, categoria na qual o Banco Master se enquadrava.
Durante seu depoimento, o diretor do BC também abordou os problemas enfrentados pelo Will Bank, instituição que faz parte do mesmo conglomerado do Banco Master.
A liquidação do Banco Master foi determinada em novembro, após a autoridade monetária identificar alto custo de captação e exposição a investimentos considerados arriscados, com juros significativamente superiores aos praticados no mercado.
A intervenção impactou tanto o Banco Master quanto a Will Financeira, que opera sob o nome fantasia Will Bank e integra o mesmo grupo financeiro. No depoimento, Aquino destacou as dificuldades de pagamento enfrentadas pelo Will Bank.
A liquidação do Will Bank foi decretada na semana passada, aproximadamente dois meses após a medida similar aplicada ao Banco Master. A instituição, focada na inclusão financeira de pessoas de renda média e baixa, estava anteriormente sob Regime de Administração Especial Temporária (Raet).
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O Banco Central assumiu temporariamente o controle do Will Bank para evitar o agravamento da situação e reduzir prejuízos aos clientes e ao sistema financeiro.
A situação do Will Bank deteriorou-se quando a instituição descumpriu a grade de pagamentos com a Mastercard. No dia seguinte a esse descumprimento, a empresa de cartões suspendeu a aceitação dos cartões emitidos pelo Will Bank devido às dívidas pendentes.
Em comunicado oficial divulgado no momento da liquidação, o Banco Central mencionou esse impasse para justificar sua decisão. Na nota, o órgão afirmou que o cenário comprometeu a “situação econômico-financeira” da instituição e caracterizou sua insolvência.
