O Brasil mantém a segunda posição no ranking mundial de juros reais, ficando atrás somente da Rússia. A informação foi divulgada neste sábado (31/01), durante o programa Dinheiro TMC, que abordou temas econômicos como dívida pública, afastamentos do trabalho e carga tributária brasileira.
O juro real representa a diferença entre a taxa de juros nominal e a inflação de um país. Este indicador permite comparar o verdadeiro custo do dinheiro entre diferentes economias.
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Por exemplo, com uma taxa de juros de 12% e inflação de 5%, o Brasil apresenta juro real de 7%. Em comparação, os Estados Unidos, com taxa de 10% e inflação de 2%, têm juro real de 8%.
A posição elevada do Brasil neste ranking ocorre porque, mesmo com a inflação começando a ceder, a taxa básica de juros permanece alta. Durante o programa, Bruna explicou que “a taxa de juros nada mais é do que para definir o comportamento da sociedade e da economia”.
A dívida pública federal brasileira registrou crescimento de 18% em 2025, superando o aumento observado durante a pandemia. Este percentual representa a maior alta desde 2015.
O aumento está diretamente relacionado à necessidade do governo de emitir títulos para financiar suas operações, já que a arrecadação não tem coberto os gastos públicos.
O Brasil registrou 4 milhões de afastamentos do trabalho em 2025, o maior número dos últimos cinco anos. Problemas de saúde física, como dor de coluna e hérnias, figuram entre as principais causas, além de transtornos mentais como ansiedade e depressão.
Os dados apresentados no programa revelam que os transtornos ansiosos lideraram as concessões de benefícios por incapacidade temporária. Além da ansiedade, a lista inclui depressão, dependência química, transtorno bipolar e alcoolismo.
O programa também destacou a queda do dólar para R$ 5,20, atingindo o menor valor desde maio de 2024. Simultaneamente, a Bovespa alcançou novo recorde histórico.
Especialistas atribuem esses movimentos ao enfraquecimento global do dólar e à percepção positiva dos investidores estrangeiros sobre o Brasil, apesar de ressalvas quanto à sustentabilidade dessa tendência no longo prazo.
Pedro Evangelinos, diretor da Fiesp, explicou durante o programa que o Brasil cobra 37% de impostos sobre a riqueza produzida. Em contraste, países com renda per capita semelhante como México e China cobram entre 14% e 16%.
“A gente exporta muitas commodities, ou seja, matéria-prima crua, que custa barato”, explicou Bruna, citando o exemplo do café que o Brasil exporta em grão para a Suíça, que o industrializa e vende com maior valor agregado.
Evangelinos exemplificou que em um eletrodoméstico brasileiro, 38% do preço correspondem a impostos, contra 16% no México e 13% na China.
Estela, apresentadora do programa, comentou sobre este paradoxo: “Isso quer dizer que quando você for fazer um café e observar ali na sua cápsula Made in Suíça, ele vai pensar que já foi, já voltou, já cruzou o Atlântico duas vezes e saiu aqui do vizinho da gente”.
