Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central (BC), não comunicou a Roberto Campos Neto sobre uma reunião realizada em 4 de dezembro de 2024 no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O encontro ocorreu quando Campos Neto ainda presidia o BC e Galípolo ocupava a diretoria de Política Monetária da instituição.
Na época da reunião, já circulavam no mercado rumores sobre problemas de liquidez no Banco Master, instituição que oferecia CDBs com rendimento atípico de 240% do CDI. Segundo apuração do Poder360, o BC não se manifestou sobre o episódio quando questionado, apenas confirmou que Galípolo não violou normas internas ao não reportar o encontro.
Acesse o canal da TMC no WhatApp para ficar sempre informado das últimas notícias
A reunião aconteceu após um encontro entre Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda que atuava como lobista do Master, e Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), chefe do Gabinete Pessoal da Presidência. Este encontro preliminar só foi registrado no sistema do Planalto em 27 de dezembro, mencionando apenas Mantega como participante, embora Vorcaro também estivesse presente.
Participantes e contexto da reunião
O encontro não registrado na agenda oficial do Planalto teve sete participantes: Lula, Vorcaro, Galípolo, Mantega, Rui Costa (ministro da Casa Civil), Alexandre Silveira (ministro de Minas e Energia) e Augusto Lima (então CEO do Banco Master).
Vorcaro esteve pelo menos quatro vezes na Presidência da República entre 2023 e 2024, todas antes da liquidação do banco. Até agora, não existe descrição detalhada sobre o conteúdo dessas reuniões nem informações sobre as atividades do banqueiro nas outras três visitas à sede do governo federal.
Durante o encontro, Vorcaro teria mencionado que o BTG, de André Esteves, demonstrou interesse em comprar o Master, mas oferecendo apenas R$1 como valor simbólico, tratando o banco como empreendimento sem lastro. O banqueiro criticou Campos Neto e expressou que a administração do BC melhoraria com Galípolo, que assumiria a presidência da instituição em 1º de janeiro de 2025.
Desdobramentos do caso
O Banco Master foi liquidado pelo BC em novembro de 2025, no que representa o maior colapso bancário da história brasileira. Vorcaro foi preso no mesmo mês, permanecendo detido por 11 dias. Após sua liberação, teve o passaporte apreendido e passou a usar tornozeleira eletrônica.
Lula comentou publicamente o caso apenas em janeiro de 2026, após a liquidação. Em evento em Maceió no dia 23 de janeiro, afirmou que “falta vergonha na cara” de quem defende Daniel Vorcaro. Em abril de 2025, o presidente havia participado da inauguração da fábrica de insulina da Biomm em Nova Lima (MG), empresa que tinha o Banco Master como principal acionista, com 25,86% do controle através do Fundo Cartago.
A ministra Gleisi Hoffmann tentou minimizar a importância da reunião entre Lula e Vorcaro, declarando em 28 de janeiro de 2026 que o presidente “recebe muita gente, já recebeu outros donos de banco, já recebeu outras pessoas do mercado financeiro”. No dia seguinte, o ministro Fernando Haddad afirmou que Lula disse a Vorcaro que as decisões sobre a instituição financeira seriam técnicas e tomadas exclusivamente pelo Banco Central.
