Grupos de defesa animal realizaram uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (01/02), exigindo punição aos responsáveis pela morte do cão Orelha. O animal foi vítima de agressões em Florianópolis e precisou ser submetido à eutanásia devido à gravidade dos ferimentos. Três adolescentes ainda são investigados pelo crime de maus-tratos que gerou comoção nacional.
O protesto reuniu milhares de defensores da causa animal em frente ao Masp. Eles buscam pressionar as autoridades para responsabilização dos envolvidos no caso. Os manifestantes levaram animais de estimação para o ato e destacaram a importância de punir os adolescentes apontados como autores do espancamento do cão comunitário.
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Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Florianópolis, cidade onde ocorreu a agressão, também registraram atos pedindo justiça por Orelha.
A Polícia Civil de Florianópolis cumpriu mandados de busca e apreensão na quinta-feira (29), recolhendo celulares de dois dos adolescentes investigados. No sábado (31/01), a polícia excluiu um dos quatro adolescentes inicialmente investigados após análise detalhada das gravações do incidente e avaliação de provas apresentadas pela família do jovem, que comprovaram sua ausência no local do crime.
Além dos adolescentes suspeitos das agressões, três adultos – dois pais e um tio dos jovens – foram indiciados por coagir testemunha durante as investigações. Dois dos adolescentes investigados estavam nos Estados Unidos em viagem familiar, mas retornaram ao Brasil na última quinta-feira devido ao andamento do caso.
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O que aconteceu com o cão Orelha?
O ataque ao cão Orelha ocorreu no dia 4 de janeiro na Praia Brava, área nobre de Florianópolis. O animal foi encontrado gravemente ferido e levado a uma clínica veterinária, onde foi submetido à eutanásia no dia seguinte devido à gravidade dos ferimentos.
A delegada Mardjoli Valcareggi informou que mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança estão sendo analisadas pelas autoridades. A identificação dos suspeitos foi possível a partir da análise de registros feitos na região e depoimentos de testemunhas, já que não existem imagens do momento exato da agressão.
A polícia também investiga uma possível tentativa de afogamento de outro cão comunitário, chamado Caramelo, na mesma praia. Existem imagens dos adolescentes pegando o animal no colo e testemunhas relataram ter visto o grupo jogando o cachorro no mar.
Exames periciais indicaram que Orelha foi atingido na cabeça com um objeto contundente, sem ponta ou lâmina, que não foi localizado. As autoridades solicitaram a elaboração do laudo de corpo de delito do animal para esclarecer as circunstâncias da morte.
Os nomes, idades e localização dos suspeitos não foram divulgados pela Justiça, conforme determina o Estatuto da Criança e Adolescente, que prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo pessoas menores de 18 anos.
Orelha era conhecido por sua docilidade e comportamento brincalhão. O cão vivia em uma das casinhas mantidas para animais comunitários na Praia Brava e era cuidado por moradores e comerciantes locais, sendo muito querido por frequentadores da praia, incluindo turistas.
