A Fictor Holding e a Fictor Invest protocolaram pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) neste domingo (01/02). As duas empresas do Grupo Fictor acumulam compromissos financeiros que somam aproximadamente R$ 4 bilhões. A companhia solicitou tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por 180 dias.
Em comunicado oficial, o grupo afirmou que busca “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”. A empresa manifestou intenção de quitar todas as dívidas “sem nenhum deságio”.
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A situação financeira das empresas deteriorou-se após episódio envolvendo o Banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) em 18 de novembro de 2025.
“Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, explicou a empresa em nota.
O problema ocorreu quando um consórcio liderado por um dos sócios da Fictor anunciou planos para adquirir o Banco Master. A operação foi interrompida após a intervenção do BC.
Antes de solicitar a recuperação judicial, o Grupo Fictor implementou medidas de reestruturação, incluindo redução da estrutura física e do quadro de funcionários.
“Esse movimento foi feito antes do pedido de recuperação judicial para proteger os direitos dos colaboradores e agilizar o recebimento das indenizações trabalhistas”, declarou a companhia.
A empresa também ressaltou que, desde o início de suas atividades, “não haviam sido registrados atrasos de nenhuma natureza”.
As subsidiárias do grupo não estão incluídas no processo de recuperação judicial e manterão suas operações normais. “O objetivo é evitar que empresas economicamente viáveis sejam afetadas por restrições típicas do processo recuperacional”, informou a Fictor.
Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua nos setores de indústria alimentícia, energia, infraestrutura e soluções de pagamento.
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Sobre a tentativa de aquisição do Banco Master, o consórcio liderado pela Fictor havia declarado que a operação estava “integralmente condicionada à análise e à aprovação prévia dos órgãos reguladores” e que se colocava “à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos”.
O TJSP ainda não se manifestou sobre o pedido de tutela de urgência solicitado pela empresa.
