O ressurgimento do nome do senador Chuck Schumer, do Partido Democrata, nos “Arquivos Epstein” reacendeu debates sobre corrupção na política estadunidense e global. Entre 1992 e 1997, segundo a imprensa na época, Schumer recebeu cerca de 7 mil dólares em doações de Jeffrey Epstein – financista e dono de uma enorme rede de exploração e tráfico sexual de menores, morto em 2019.
Epstein possuía, em sua “rede de clientes”, políticos conhecidos tanto por democratas quanto por republicanos – os presidentes Bill Clinton (D) e Donald Trump (R), por exemplo, aparecem nos documentos que revelam as correspondências e reuniões do criminoso com seus associados.
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Até mesmo naquela época, apesar de ter doado para Schumer, Epstein também realizou doações totalizando US$ 2 mil para seu oponente direto nas eleições, Al D’Amato.
Em 2019, após a prisão de Jeffrey Epstein por tráfico e prostituição de menores, Schumer anunciou que doaria o equivalente aos US$ 7 mil que recebeu do financista a instituições de caridade.
“Apesar destas contas [bancárias] de campanha terem sido encerradas há 20 anos, (…) o senador Schumer irá doar uma quantia equivalente a grupos anti-tráfico sexual e anti-violência contra mulheres“, afirmou o porta-voz de Schumer na época, Justin Goodman.
Por mais que a questão seja tratada como encerrada por democratas, eleitores de esquerda ainda manifestam insatisfação não só com a condução do Partido Democrata no assunto dos “Arquivos Epstein”, como também com a complacência de figuras de alto escalão como Schumer na pressão para que todos os envolvidos na rede do empresário pedófilo sejam julgados.
O que foi o “Caso Epstein”, e por que ele importa
Jeffrey Epstein foi um financista estadunidense notório por ter cultivado, com seu dinheiro e influência, um círculo social de elites em todo o mundo. O magnata viria a transformar seu enorme livro de contatos em uma rede global de tráfico e exploração sexual de menores de idade, e chegou a ser condenado por prostituição de uma menor em 2008.
Epstein era conhecido pelas festas que promovia em sua “ilha pessoal”. Participaram dessas festas celebridades, atletas, políticos, empresários, cientistas e pessoas notáveis de praticamente todas as áreas da sociedade, o que também dava a Epstein acesso e poder inimagináveis; tanto pelo contato direto entre ele e as elites, quanto pela conhecida chantagem que o financista realizava com seus clientes, que temiam que Epstein divulgasse o que fizeram na sua mansão caso não o obedecessem. A mansão do financista contava com uma enorme quantidade de câmeras e microfones, capturando tudo que ali acontecia.
Quando o financista foi preso em 2019 por tráfico sexual de menores na Flórida e em Nova York, a população e setores da política dos Estados Unidos pressionaram o governo Trump a extrair de Epstein toda a verdade sobre os “Arquivos Epstein” – suas correspondências, os registros de voos para sua ilha, quem esteve na casa dele ao longo dos anos, entre outros.
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A verdade, porém, ficaria obstruída; no dia 10 de agosto de 2019, Jeffrey Epstein morreu na prisão, alegadamente após se suicidar em sua própria cela. Especialistas forenses desafiam a conclusão do poder público, e uma fita do FBI dizendo mostrar vídeos das câmeras de segurança do presídio possuía quase 3 minutos de imagens perdidas.
A divulgação dos “Arquivos Epstein” foi ignorada, contra a vontade e os protestos da população, pelos governos Biden e Trump até 2025. Depois de prometer, em sua campanha, que divulgaria os Arquivos Epstein caso fosse reeleito, o atual presidente Donald Trump o fez com quase um ano de atraso e resistência.
Documentos nos Arquivos Epstein “podem ser falsos”, alega governo Trump
Os novos documentos divulgados no caso Epstein podem ser livremente acessados no portal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que encabeça os esforços do Ato de Transparência dos Arquivos Epstein.
Mesmo assim, o próprio Departamento comunicou uma mensagem confusa em nota oficial: no mesmo texto, o órgão afirma que realizou uma inspeção rigorosa da documentação enviada ao FBI, mas também alega que podem existir provas “falsas ou falsamente submetidas”, especialmente aquelas que incluírem “acusações contra o Presidente Trump”.
