Novos documentos ligados a Jeffrey Epstein divulgados na última sexta-feira (30/01) mostram que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi acusado de abusar sexualmente de uma adolescente. Os documentos elucidam pouco a questão: sabe-se apenas que o caso teria ocorrido há mais de 30 anos, e que a vítima – uma jovem de 13 a 14 anos – teria sido forçada a praticar sexo oral no presidente, mas escapou após atacá-lo com uma mordida.
A denunciante, conforme os documentos, seria uma amiga da vítima, que conversou com um funcionário do local onde o crime teria ocorrido. Jeffrey Epstein, falecido em 2019, foi um financista e chefe de uma vasta rede de tráfico e exploração sexual de menores de idade, da qual eram clientes diversas personalidades da sociedade política, artística, financeira, empresarial e civil.
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Segundo o relato da denunciante, a vítima teria sido obrigada a performar sexo oral em Donald Trump, mas mordeu o pênis do presidente e deixou o local para relatar o ocorrido a outras pessoas.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, subordinado ao governo Trump, alega que quaisquer acusações contra o presidente nos documentos do “caso Epstein” são “infundadas e falsas”. Trump não foi acusado formalmente com relação aos relatórios do financista, e ele nega ter tido conhecimento dos crimes de seu declarado “ex-amigo”.
Mesmo assim, Trump aparece em fotos, vídeos e correspondências com o financista em diversas situações e lugares, o que gera dúvidas sobre a credibilidade de sua defesa e da negativa do Departamento de Justiça sobre a procedência das acusações. Por outro lado, partes dos relatórios contém documentos comprovadamente falsos – o FBI, durante a coleta de evidências, priorizou obter o maior volume de informação possível, mesmo que isso comprometesse a qualidade das provas adquiridas.
O cenário em torno do presidente Trump se torna nebuloso, uma vez que há negação plausível contra as acusações e também há razão para suspeitar de Trump, cujo número de vezes citado nos documentos está na casa dos milhares.
O que foi o “Caso Epstein”, e por que ele importa
Jeffrey Epstein foi um financista estadunidense notório por ter cultivado, com seu dinheiro e influência, um círculo social de elites em todo o mundo. O magnata viria a transformar seu enorme livro de contatos em uma rede global de tráfico e exploração sexual de menores de idade, e chegou a ser condenado por prostituição de uma menor em 2008.
Epstein era conhecido pelas festas que promovia em sua “ilha pessoal”. Participaram dessas festas celebridades, atletas, políticos, empresários, cientistas e pessoas notáveis de praticamente todas as áreas da sociedade, o que também dava a Epstein acesso e poder inimagináveis; tanto pelo contato direto entre ele e as elites, quanto pela conhecida chantagem que o financista realizava com seus clientes, que temiam que Epstein divulgasse o que fizeram na sua mansão caso não o obedecessem. A mansão do financista contava com uma enorme quantidade de câmeras e microfones, capturando tudo que ali acontecia.
Quando o financista foi preso em 2019 por tráfico sexual de menores na Flórida e em Nova York, a população e setores da política dos Estados Unidos pressionaram o governo Trump a extrair de Epstein toda a verdade sobre os “Arquivos Epstein” – suas correspondências, os registros de voos para sua ilha, quem esteve na casa dele ao longo dos anos, entre outros.
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A verdade, porém, ficaria obstruída; no dia 10 de agosto de 2019, Jeffrey Epstein morreu na prisão, alegadamente após se suicidar em sua própria cela. Especialistas forenses desafiam a conclusão do poder público, e uma fita do FBI dizendo mostrar vídeos das câmeras de segurança do presídio possuía quase 3 minutos de imagens perdidas.
A divulgação dos “Arquivos Epstein” foi ignorada, contra a vontade e os protestos da população, pelos governos Biden e Trump até 2025. Depois de prometer, em sua campanha, que divulgaria os Arquivos Epstein caso fosse reeleito, o atual presidente Donald Trump o fez com quase um ano de atraso e resistência.
Documentos nos Arquivos Epstein “podem ser falsos”, alega governo Trump
Os novos documentos divulgados no caso Epstein podem ser livremente acessados no portal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que encabeça os esforços do Ato de Transparência dos Arquivos Epstein.
Mesmo assim, o próprio Departamento comunicou uma mensagem confusa em nota oficial: no mesmo texto, o órgão afirma que realizou uma inspeção rigorosa da documentação enviada ao FBI, mas também alega que podem existir provas “falsas ou falsamente submetidas”, especialmente aquelas que incluírem “acusações contra o Presidente Trump”.
