No Dia Mundial do Câncer, celebrado nesta terça-feira (03/02), a oncologia destaca a consolidação da inteligência artificial (IA) como ferramenta efetiva no cuidado com pacientes. Diante do envelhecimento da população e da estimativa de 704 mil novos casos de câncer por ano no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a tecnologia passa a ser usada para ampliar a precisão dos diagnósticos e agilizar decisões clínicas.
Estudos de instituições como a Mayo Clinic, o INCA e pesquisas publicadas na revista Nature Medicine indicam que a IA já impacta diferentes etapas do tratamento, do diagnóstico inicial à definição de terapias personalizadas.
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No diagnóstico, a principal contribuição está na detecção precoce. Sistemas de IA atuam como apoio a radiologistas na análise de exames de imagem, identificando alterações que podem passar despercebidas em avaliações convencionais. Pesquisas realizadas na Suécia apontam que o uso da tecnologia em mamografias reduziu em 12% os chamados “cânceres de intervalo” e ampliou em 29% a identificação de tumores, inclusive em estágio inicial. Em centros como a Mayo Clinic, modelos de IA também são aplicados à análise de tomografias para detectar nódulos em cânceres de difícil diagnóstico precoce, como os de pâncreas e pulmão.
No tratamento, a IA impulsiona a chamada medicina de precisão, que adapta a terapia às características genéticas de cada tumor. Ferramentas como o AlphaFold 3, desenvolvido pela Google DeepMind, permitem prever interações entre proteínas e moléculas, acelerando o desenvolvimento de medicamentos direcionados. 4
Na radioterapia, algoritmos já auxiliam no cálculo mais preciso das doses de radiação, reduzindo danos a tecidos saudáveis e efeitos colaterais. No Brasil, hospitais de referência, como o Sírio-Libanês, utilizam essas tecnologias para otimizar protocolos terapêuticos.
Apesar dos avanços, especialistas alertam para desafios que acompanham a expansão da IA na oncologia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) destacam a necessidade de regulação, supervisão médica permanente e cuidado com vieses nos dados utilizados para treinar algoritmos, muitas vezes baseados em populações de países desenvolvidos. Outro ponto central é o acesso, com o desafio de ampliar o uso dessas ferramentas no Sistema Único de Saúde (SUS).
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Especialistas reforçam que a inteligência artificial não substitui o médico. O papel da tecnologia é apoiar decisões clínicas e reduzir tarefas operacionais, permitindo que o oncologista dedique mais tempo ao acompanhamento e ao cuidado direto do paciente.




