O Corinthians estabeleceu um corte definitivo na relação com um empresário específico, e essa decisão ajuda a explicar movimentos recentes do clube no mercado. A grande novidade não é o fim do interesse em Kayky, algo que já havia esfriado há semanas, mas o motivo: a presença do mesmo estafe que esteve à frente do turbulento caso Kauê Furquim.
O episódio envolvendo Furquim foi determinante. O Bahia desembolsou cerca de R$ 7 milhões para contratar o jovem atacante junto ao Corinthians, em uma negociação que, à época, já causou ruído interno. O clube paulista entendeu que perdeu controle do processo, enfrentou dificuldades contratuais e conviveu com um desgaste público que pesou mais do que o valor financeiro da operação.
Desde então, a relação com o empresário nunca mais foi a mesma. Internamente, a avaliação é de que houve condução agressiva das tratativas, pressão externa e falta de alinhamento institucional. Esse histórico fez com que o presidente Osmar Stábile adotasse uma postura clara: enquanto esse empresário estiver envolvido, não haverá negociação.
Quando o nome de Kayky voltou a circular nos bastidores, o alerta foi imediato. O jogador, hoje com valor de mercado estimado em R$ 15 a R$ 18 milhões, é visto como um ativo relevante do Bahia, jovem e com margem de crescimento. Mesmo assim, a presidência corinthiana optou por não avançar em qualquer conversa formal justamente pela ligação direta com o mesmo estafe.
A decisão não passou por análise técnica nem financeira. Pessoas próximas ao clube relatam que a orientação foi objetiva: evitar repetir um ambiente de conflito que já trouxe problemas recentes. Para o Corinthians, o custo institucional desse tipo de negociação passou a ser considerado alto demais.
Com isso, o caso Kayky ganha um novo enquadramento. Não se trata de desistência esportiva nem de recuo por valores. Trata-se de uma linha política traçada pela presidência, que pretende reduzir ruídos fora de campo e estabelecer limites claros na relação com empresários.
A mensagem que sai do Parque São Jorge é direta e sem margem para dúvida: o Corinthians prefere perder oportunidades de mercado a repetir um modelo de negociação que já trouxe desgaste. No centro dessa decisão está menos o jogador e mais quem conduz a conversa.
