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Jamil Chade
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Um dos grandes nomes do jornalismo internacional, Jamil Chade é jornalista e escritor, com vasta experiência em coberturas globais. Trabalhou para grandes veículos brasileiros e internacionais, sendo reconhecido por sua atuação como correspondente. Jamil Chade repercute os fatos que movimentam a geopolítica internacional. Entre os destaques da cobertura, as discussões na Organização das Nações Unidas, entidade que o jornalismo acompanha de perto.

Jamil Chade: mundo está mais perigoso com fim do acordo nuclear entre Rússia e EUA

É a primeira vez em mais de 50 anos que o mundo vive uma situação em que não há inspeção do arsenal nuclear das potências

Nesta quinta-feira (05/02), o mundo está mais perigoso porque acabou o último acordo que existia entre as duas superpotências, Rússia e Estados Unidos, que limitava o teste de armas nucleares. Ou seja, o mundo está órfão de todos os acordos que existiam entre essas duas potências e que ao longo dos últimos anos foram expirando, não se renovaram com as crises entre os dois, e não houve nenhum tipo de negociação para atualizar esses acordos.

E eis que acordamos nesta quinta-feira com um mundo simplesmente sem nenhum tipo de acordo nuclear. É a primeira vez em mais de 50 anos que o mundo vive uma situação da qual simplesmente não existe. Além das limitações, há um aspecto fundamental desses acordos que era a inspeção. Ou seja, o governo americano podia fazer inspeção na Rússia e a Rússia podia fazer inspeção no governo americano, as agências internacionais podiam também fazer essa inspeção.

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Hoje, nada disso mais pode ser feito. Há muita preocupação internacional sobre o que significa a partir de agora no mundo em que nós estamos vendo com tensão com a ordem global sendo desfeita e, agora, sem acordos sobre ogivas nucleares. Obviamente há muita gente preocupada inclusive com uma corrida armamentista.

A China obviamente tem apenas uma fração das ogivas que Rússia e Estados Unidos tem, mas é o país que mais investe hoje em armas nucleares e é o que mais expande o seu arsenal. Ela quer de alguma forma chegar perto, estar dentro dos patamares de americanos e russos, mas ainda está muito longe.

Leia mais: Fim de tratado nuclear abre caminho para Rússia e EUA criarem arsenais infinitos

O que diz Donald Trump? Não adianta mais fazer um acordo entre eu e Vladimir Putin. A China precisa fazer parte. A China, neste momento, não quer fazer parte de nenhum tipo de limitação, porque, claro, ela quer chegar perto do patamar de Washington e Moscou. E Moscou não quer fazer parte porque, depois de uma guerra contra a OTAN, contra o Ocidente, na Ucrânia, ela não quer ter inspeção sobre seu arsenal.

Esse xadrez é complicado e, no fundo, estamos numa situação bastante preocupante, porque, claro, as três grandes potências nucleares hoje não conseguem conversar sobre a existência de um novo tratado.

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