O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (5/2) que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), “têm um papel a cumprir” nas eleições em São Paulo. A declaração foi feita em entrevista ao UOL, para a jornalista Daniela Lima, que também é colunista da TMC. Foi a primeira cobrança pública do presidente para que os dois aliados participem diretamente da disputa eleitoral no maior colégio eleitoral do país.
Segundo Lula, o objetivo é fortalecer o palanque paulista e ampliar as chances de vitória da base governista em 2026. O presidente disse acreditar que a esquerda pode vencer no estado se lançar nomes competitivos ao governo, citando explicitamente Alckmin, Haddad e também a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB). Ele afirmou que ainda não conversou individualmente com nenhum deles, mas destacou que todos sabem da importância de seu engajamento na eleição.
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A fala aumenta a pressão sobre Haddad e Alckmin, que até agora não manifestaram intenção de concorrer a cargos pelo estado. No fim de janeiro, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, já havia defendido publicamente que integrantes do primeiro escalão entrem na disputa eleitoral para enfrentar a extrema direita nos estados.
Lula reconheceu as dificuldades históricas do PT em São Paulo. Ele venceu no estado apenas uma vez, em 2002, e perdeu as demais disputas presidenciais por margens estreitas. Ainda assim, afirmou que o governo tem base eleitoral suficiente para competir e vencer, desde que faça as escolhas políticas adequadas.
O presidente também mencionou o cenário em Minas Gerais e voltou a defender uma candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ao governo estadual. Em tom bem-humorado, Lula afirmou que ainda não desistiu do aliado e que pretende convencê-lo a entrar na disputa dentro da aliança governista.
Durante a entrevista, Lula voltou a destacar o fim da escala de trabalho 6×1 como uma das principais bandeiras de sua campanha à reeleição. O presidente defendeu a abertura de diálogo com o Congresso Nacional, empresários e trabalhadores para reduzir a jornada semanal. Segundo o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), um projeto de lei com urgência constitucional sobre o tema deve ser enviado ao Legislativo após o Carnaval.
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Para Lula, a mudança na jornada é necessária diante do aumento da produtividade e da demanda da população, especialmente jovens e mulheres, por mais tempo para estudar, cuidar da família e planejar a vida.
