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“Abracei o lixo como objeto de conhecimento”, diz professora que ganhou “Nobel da Educação”

Débora Garofalo fala sobre o projeto de robótica com sucata que a levou ao reconhecimento global

A professora brasileira Débora Garofalo foi reconhecida internacionalmente como a educadora mais influente do mundo pela Varkey Foundation, entidade responsável pelo Global Teacher Prize — considerado o “Nobel da Educação”. O prêmio destaca seu trabalho inovador no ensino de robótica utilizando materiais recicláveis em uma escola pública situada em área de vulnerabilidade social.

Professora de Língua Portuguesa e Pedagogia, Débora leciona na EMEF Almirante Ary Parreiras, localizada na zona sul de São Paulo, entre quatro grandes comunidades com altos índices de violência. Ao assumir aulas de tecnologia, a educadora identificou um problema crônico relatado pelos próprios alunos: o lixo nas ruas. Os resíduos impediam a chegada das crianças à escola em dias de chuva e causavam doenças como dengue e leptospirose.

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“Encontrei uma escola entre quatro grandes favelas aqui da cidade de São Paulo, com alto índice de violência, alto índice de tráfico de drogas. E diante desse cenário, abriu uma oportunidade de eu ser professora de tecnologia”, disse débora,

Diante da falta de recursos e kits convencionais de robótica, a professora decidiu transformar o problema em solução. Nasceu assim o projeto de “Robótica com Sucata”, que utiliza o lixo reciclável como principal objeto de conhecimento e ferramenta de construção.

“Eles [os alunos] me relatavam que o lixo era um problema na vida deles. Um lixo que impedia essas crianças de chegar até a escola em dias de chuva […] e que até hoje traz doenças como dengue e leptospirose. Eu falei: ‘Bom, eu só tenho dois caminhos: primeiro, eu vou me lamentar por aquilo que eu não tenho para trabalhar com essas crianças, que seria um kit específico de robótica, ou eu abraçar esse lixo como objeto de conhecimento’. E sem dúvida nenhuma, eu preferi essa segunda opção.”

Desafios e impacto pedagógico

Inicialmente, Débora enfrentou a resistência cultural dos próprios estudantes, que acreditavam que o ensino de robótica era restrito a escolas particulares. Foi necessário um trabalho de sensibilização, incluindo aulas públicas e a coleta segura de materiais pela comunidade, para demonstrar que a tecnologia poderia ser acessível a todos.

O projeto evoluiu rapidamente. O que começou com a construção de brinquedos simples, como carrinhos, transformou-se no desenvolvimento de soluções complexas para problemas locais. Entre as invenções dos alunos destacam-se:

  • Sensores de enchente: Para alertar a comunidade sobre o nível dos córregos próximos.
  • Mecanismos de acessibilidade: Uso de inteligência artificial para movimentar cadeiras de rodas de alunos com deficiência.

Reconhecimento internacional

A trajetória de Débora ganhou visibilidade global em 2019, quando ela se tornou a primeira mulher sul-americana finalista do Global Teacher Prize. Recentemente, a fundação criou uma nova categoria, o Global Teacher Influencer, da qual Débora foi a primeira vencedora mundial.

A professora foi convidada a receber a honraria em Dubai, com todos os custos pagos pela organização. Segundo Débora, o prêmio não é apenas uma conquista pessoal, mas um marco para a valorização da educação pública brasileira, provando que é possível ressignificar o aprendizado e promover inclusão social mesmo em cenários de escassez de recursos.

“Para mim, eu me sinto honrada mesmo, como professora pública, de estar ocupando esses espaços. A gente não é muito habitual, nós não estamos acostumados a estar nesses espaços. Fui a primeira professora do mundo a receber essa premiação. Eu acho que isso tem um peso muito importante para o nosso país, porque traz a educação pública no debate do mundo.”

Atualmente, Débora integra uma comunidade internacional de embaixadores da educação, participando de cúpulas anuais para discutir e influenciar políticas educacionais ao redor do mundo.

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