O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (06/02) que não pretende se desculpar por ter compartilhado um vídeo de teor racista que retrata o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama com os rostos sobrepostos a corpos de macacos. Esta foi a primeira manifestação pública de Trump sobre o episódio.
A declaração foi feita a bordo do Air Force One. Trump disse que não assistiu ao vídeo completo antes de publicá-lo em sua rede social, a Truth Social, e alegou que a postagem foi retirada assim que ele tomou conhecimento do conteúdo ofensivo.
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“Eu não cometi um erro. Eu olho milhares de coisas”, afirmou o presidente. Segundo ele, ninguém percebeu o trecho final do vídeo, onde aparece a montagem com o casal Obama, que fica visível por cerca de um segundo.
O conteúdo foi publicado na noite de quinta-feira (05/02) e permaneceu no ar por aproximadamente 12 horas. A remoção ocorreu na tarde desta sexta-feira, após críticas de parlamentares da oposição e também de integrantes do próprio Partido Republicano.
O vídeo apresenta teorias conspiratórias sobre as eleições presidenciais de 2020 e repete alegações falsas de que a empresa Dominion Voting Systems teria fraudado o pleito vencido por Joe Biden. Ao final da gravação, os rostos de Barack e Michelle Obama aparecem sobrepostos a imagens de macacos, ao som da música “The Lion Sleeps Tonight”.
Inicialmente, a Casa Branca minimizou o episódio. Em entrevista à Fox News, a porta-voz Karoline Leavitt classificou a repercussão como uma “distração” e disse que se tratava de um “meme da internet”. Mais cedo, o governo havia rejeitado as críticas, afirmando que o vídeo mostrava Trump como o “Rei da Selva” e democratas como personagens de O Rei Leão.
Posteriormente, no entanto, a Casa Branca informou à agência Reuters que a publicação foi resultado de um “erro” cometido por um funcionário do governo.
A postagem gerou forte reação de aliados de Barack Obama. O gabinete do governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, classificou o episódio como “comportamento repugnante”. Já o senador republicano Tim Scott, o único senador negro do partido, afirmou que o vídeo foi “a coisa mais racista” que já viu sair da Casa Branca.
Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado próximo de Obama, também condenou o conteúdo. Em publicação nas redes sociais, afirmou que Trump será lembrado negativamente pela história, enquanto os Obamas serão vistos como figuras queridas pelos americanos.
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Barack Obama é o único presidente negro da história dos Estados Unidos e apoiou Kamala Harris, adversária de Trump na eleição presidencial de 2024. Desde seu retorno ao poder, Trump tem sido alvo de críticas por promover o desmonte de programas federais de diversidade, equidade e inclusão e por medidas que opositores classificam como retrocessos no combate à discriminação racial.
