O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta sexta-feira (06/01) que o Brasil consolide uma trajetória de queda da taxa básica de juros até alcançar um patamar de um dígito e evite o retorno a níveis elevados no futuro. A declaração foi feita durante reunião do Diretório Nacional do PT, em Salvador.
Segundo Haddad, o atual nível da taxa de juros ainda é restritivo e pode prejudicar tanto a atividade econômica quanto a política fiscal, caso provoque uma desaceleração excessiva da economia. O ministro afirmou que juros muito altos tendem a reduzir o crescimento, o que impacta diretamente a arrecadação e o equilíbrio das contas públicas.
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Embora tenha ressaltado a autonomia do Banco Central, Haddad disse manter diálogo com o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e avaliou que o cenário atual exige uma condução cuidadosa da política monetária. Para ele, a sinalização mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), que indicou a possibilidade de cortes mais consistentes na taxa básica, vai na direção correta.
O ministro afirmou que defende essa estratégia desde o ano passado e reiterou que o país precisa perseguir juros de um dígito de forma permanente. Segundo Haddad, a economia brasileira tem condições de crescer mesmo em um ambiente ainda restritivo, citando o desempenho recente do PIB como exemplo de resiliência.
Durante o evento, Haddad também comentou propostas defendidas por setores do PT, como o fim da escala de trabalho 6×1 e a adoção da tarifa zero no transporte público. De acordo com o ministro, as duas medidas têm impactos fiscais distintos.
Ele explicou que o fim da escala 6×1 não gera impacto direto nas contas públicas, enquanto a tarifa zero exige uma fonte de financiamento bem definida. Haddad destacou que qualquer iniciativa nessa área precisa ser planejada com consistência para evitar recuos futuros.
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Segundo o ministro, o governo estuda diferentes cenários técnicos para subsidiar eventuais propostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão de incluí-las ou não no plano de governo dependerá da viabilidade fiscal e da clareza sobre como serão financiadas.
