A edição desta semana do programa Dinheiro TMC trouxe à tona debates sobre o cenário econômico brasileiro e internacional. Entre os destaques, a especialista Bruna Allemam analisou a crise do Caso Master, a arrecadação federal com a “taxa das blusinhas” e os acordos bilionários dos bancos com o governo. O programa também contou com uma entrevista especial sobre a profissionalização do mercado de infoprodutos.
Fiscalização e transparência: o caso Master
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou a situação do Banco Master como “muito grave”, defendendo o rastreamento e recuperação de ativos. Segundo Bruna Allemam, o sistema financeiro brasileiro é um dos mais modernos do mundo em termos de rastreabilidade, superando até os EUA, que ainda dependem muito de cheques.
Allemam explica que a regulação rigorosa visa prevenir a lavagem de dinheiro e aumentar a transparência, fator essencial para atrair investidores estrangeiros. Para o investidor comum, a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre até R$ 250 mil. Valores acima disso dependem de processos complexos de quebra de sigilo e rastreamento de bens para serem recuperados.
Comércio exterior e arrecadação
Outro ponto de destaque foi a expectativa em torno da viagem do presidente Lula e a fala do vice-presidente Alckmin sobre “zerar o tarifaço”. A especialista alerta que a relação comercial com os EUA é pragmática e baseada em interesses. Com a política de reindustrialização americana, zerar tarifas é uma tarefa difícil que exigiria contrapartidas significativas do Brasil.
No cenário doméstico, a Receita Federal registrou arrecadação recorde de R$ 5 bilhões em 2025 com a taxação de pequenas importações (a “taxa das blusinhas”), mesmo com a queda no volume de encomendas. Allemam aponta que esse aumento de receita é consequência da criação ou ajuste de mais de 24 impostos nos últimos anos. Embora o volume de compras tenha caído devido ao encarecimento dos produtos, a alta carga tributária compensou a arrecadação final.
Bancos e acordos tributários
Instituições como Itaú, Santander e Citi firmaram acordos de R$ 2,5 bilhões para encerrar disputas com o governo. Bruna esclarece que muitas dessas pendências referem-se a tributos antigos (como a extinta CPMF) e refletem a complexidade do sistema tributário brasileiro. Para os bancos, o acordo é uma forma de limpar o balanço e evitar passivos futuros.
Especial: a profissionalização do mercado digital
O programa recebeu Gabriel Amato, estrategista de marketing digital, para discutir o “boom” dos cursos online. Amato traçou a linha do tempo desse mercado no Brasil, iniciada por volta de 2009 com a chegada da “Fórmula de Lançamento” trazida por Érico Rocha.
Pontos-chave da entrevista:
- Evolução: O mercado deixou de ser amador. Hoje, exige-se uma estrutura profissional dividida entre o “expert” (quem ensina) e o “bastidor” (estrategista, copywriter, gestor de tráfego).
- Modelos de venda: Existem dois formatos principais: o lançamento (picos de venda em janelas de tempo curtas, como o famoso “6 em 7” – R$ 100 mil em 7 dias) e o perpétuo (vendas diárias e recorrentes).
- A jornada do cliente: O sucesso depende de construir audiência e conduzir o consumidor por um funil: anúncio, conteúdo gratuito (aumentar nível de consciência) e oferta paga.
- Tendência: O público está mais exigente. Não basta apenas prometer resultados rápidos; é necessário entregar suporte e transformação real, visto que a oferta de cursos explodiu durante e após a pandemia.
Educação financeira e ciclos econômicos
No quadro “Be-a-bá da Economia”, Bruna Allemam explicou o conceito de ciclos econômicos. A economia funciona como uma montanha-russa: períodos de recuperação levam a picos de consumo, que geram inflação. Para controlar a inflação, sobem-se os juros, o que desaquece a economia e pode levar a uma recessão, reiniciando o ciclo. Atualmente, o mundo vive um ajuste pós-pandemia.
Respondendo a ouvintes, a especialista abordou o dilema entre morar perto do trabalho (pagando mais caro) ou longe (economizando no aluguel, mas gastando tempo). A conclusão é que o tempo é um ativo irrecuperável e, muitas vezes, o custo de vida mais alto perto do trabalho compensa pela qualidade de vida e produtividade.
Dica de Leitura: O livro recomendado da semana foi “Coisa de Rico”, do antropólogo Michel Alcoforado, que desmistifica a riqueza focando em comportamento e controle do tempo, e não apenas em planilhas.
