A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) emitiu um alerta sobre riscos de pancreatite relacionados ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil.
O comunicado foi divulgado nesta segunda-feira (9/02) após a identificação de seis mortes associadas aos medicamentos antagonistas do receptor GLP-1, utilizados para tratar diabetes e que se popularizaram como auxiliares no combate à obesidade.
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Entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, a agência registrou 145 notificações de eventos adversos suspeitos vinculados a esses medicamentos no território nacional. Do total de casos reportados, seis evoluíram para óbito, segundo dados compilados pela autoridade sanitária brasileira.
O alerta visa reforçar as orientações de segurança sobre possíveis complicações graves, como pancreatite aguda, que podem progredir para formas necrotizantes e fatais. A medida foi tomada mesmo com as informações de risco já constando nas bulas dos produtos.
No Reino Unido, o cenário mostra dados ainda mais expressivos. A agência britânica recebeu aproximadamente 1.300 notificações da mesma condição entre 2007 e outubro de 2025. Os registros incluem 19 mortes e 24 casos de pancreatite necrosante, forma em que ocorre morte do tecido pancreático.
Os medicamentos em questão são comercializados em todo o Brasil mediante prescrição médica. Apesar do alerta, a Anvisa mantém inalterada a avaliação sobre a relação entre riscos e benefícios desses produtos.
“Ou seja, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula”, afirma a autoridade sanitária no comunicado.
Fabricantes se manifestam sobre o alerta
A Novo Nordisk, fabricante de alguns desses medicamentos, declarou em comunicado que “embora o risco já conste nas bulas aprovadas no Brasil, as notificações têm aumentado no cenário internacional e nacional, o que exige reforço das orientações de segurança”.
A Elly Lilly informou, em nota, que a bula do Mounjaro (tirzepatida) já adverte sobre a pancreatite aguda como reação adversa incomum. A empresa orienta os pacientes a consultarem seus médicos para obter informações sobre os sintomas, além de interromper o tratamento em caso de suspeita.
O monitoramento dos antagonistas do receptor GLP-1 continua sendo realizado pela Anvisa. A agência não divulgou informações detalhadas sobre o perfil dos pacientes afetados ou fatores de risco específicos que possam aumentar a probabilidade de desenvolvimento de pancreatite durante o uso desses medicamentos.
