O ucraniano Vladyslav Heraskevych não poderá usar seu “capacete da lembrança” em homenagem às vítimas da guerra com a Rússia na competição de skeleton dos Jogos Olímpicos de Inverno, mas poderá usar uma braçadeira preta, decidiu o Comitê Olímpico Internacional nesta terça-feira (10/02).
O atleta de 27 anos, que exibiu um cartaz com os dizeres “Não à guerra na Ucrânia” na Olimpíada de Inverno de Pequim-2022 dias antes da invasão da Rússia, vinha treinando na Itália com um capacete com imagens de atletas ucranianos mortos.
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Heraskevych classificou a decisão do COI como injusta.
O órgão olímpico disse que o atleta usou o capacete nos treinos e expressou suas opiniões nas redes sociais, mas não poderá fazê-lo quando a competição começar na quinta-feira, a fim de manter a política fora dos campos de jogo.
“Tentamos atender ao seu desejo com compaixão”, disse o porta-voz do COI, Mark Adams, em coletiva de imprensa, explicando a decisão. “O COI compreende plenamente o desejo dos atletas de lembrar os amigos que perderam a vida nesse conflito.”
A regra 50.2 da Carta Olímpica estabelece que nenhuma forma de manifestação ou questões políticas, religiosas ou raciais podem ser levantadas nos campos de jogo ou pódios, embora os atletas possam se expressar livremente em outros lugares.
“Os Jogos precisam ser separados de todos os tipos de interferência para que todos os atletas possam se concentrar em suas performances… Precisamos manter esse momento específico o mais puro possível para a competição”, acrescentou Adams.
“Este capacete viola as diretrizes, mas faremos uma exceção para permitir que ele use uma braçadeira preta durante a competição para fazer essa homenagem… Achamos que este é um bom compromisso para a situação.”
Ucraniano insatisfeito com decisão
Heraskevych não ficou satisfeito com a recusa do pedido do Comitê Olímpico Ucraniano em seu nome. “É um tratamento injusto”, disse ele à agência Reuters.
“Não vejo nenhuma violação da regra 50. Não é propaganda discriminatória, não é propaganda política.” O capacete retrata vários atletas mortos na guerra, alguns dos quais eram amigos de Heraskevych.
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Entre eles estão a levantadora de peso adolescente Alina Perehudova, o boxeador Pavlo Ischenko, o jogador de hóquei no gelo Oleksiy Loginov, o ator e atleta Ivan Kononenko, o mergulhador e treinador Mykyta Kozubenko, o atirador Oleksiy Habarov e a dançarina Daria Kurdel.
Após a invasão de Moscou, os atletas da Rússia e de sua aliada Belarus foram amplamente barrados dos esportes internacionais, mas o COI apoiou seu retorno gradual sob condições rigorosas.
Moscou e Minsk afirmam que o esporte deve permanecer separado dos conflitos internacionais.
Por Reuters
