O futebol moderno decretou o fim do meio-campista clássico, aquele jogador cerebral, conhecido como “camisa 10”, que cadenciava o jogo e ficava isento de obrigações defensivas? Este foi o tema central de debate promovido pelos comentaristas do programa Papo de Craque, da TMC.
Para o ex-jogador e comentarista Dodô, a extinção desse perfil de atleta é uma consequência natural da evolução física e tática do esporte. Segundo ele, a maioria dos grandes clubes europeus e mundiais aboliu a função porque o futebol atual exige que todos os jogadores em campo participem ativamente da recomposição defensiva e da marcação.
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“Hoje em dia todo mundo tem que competir sem a bola. Aquele camisa 10 que antigamente ficava esperando o time retomar a posse para criar, não existe mais no futebol mundial porque não existe mais espaço”, analisou Dodô. A tese é de que é mais fácil adaptar um jogador técnico para ajudar na marcação do que manter um atleta que sobrecarregue o sistema defensivo por não combater.
A “robotização” do talento
Em contrapartida, o apresentador Benjamin Back criticou duramente essa transformação. Para ele, o sistema atual de formação e de jogo “engessa” o talento individual. Benja argumentou que craques do passado, como Alex, Djalminha e Giovanni, não teriam espaço hoje — não por falta de qualidade, mas porque os treinadores priorizam a força física e a obediência tática em detrimento da criatividade.
“Eu acho que não tem mais o 10 porque os treinadores lá na base, quando aparece um garoto de talento, limitam ele. Obrigam o cara a marcar lateral”, desabafou o apresentador, sugerindo que a busca por atletas “operários” está matando a magia do futebol brasileiro.
Seleção brasileira e novas formações
O debate também abordou a carência dessa peça na seleção brasileira. A bancada observou que, com exceção de Neymar (que lida com lesões), o Brasil carece de um armador de ofício, dependendo de volantes com boa saída de bola, como Bruno Guimarães e Casemiro, ou de atacantes de lado de campo. Lucas Paquetá foi citado como um jogador que pode atuar na função, mas que não possui as características de decisão e controle de jogo dos antigos maestros.
O comentarista Calil complementou a discussão lembrando que a tática também mudou ofensivamente: muitos times trocaram o meia centralizado por formações com quatro atacantes ou pontas agudos, pulverizando a criação de jogadas pelos lados do campo e extinguindo a necessidade de um centralizador no meio.
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