O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro registrou 0,33%, revelando que a inflação oficial segue sob pressão. A conta de luz surge como um componente decisivo para as perspectivas econômicas, impulsionada por eventos climáticos extremos. Negligenciar esses desafios impõe riscos severos à estabilidade de preços e ao crescimento nacional.
A escassez de chuvas no país eleva o risco hídrico, impactando diretamente nossa matriz energética, dependente de hidrelétricas. Com menos água disponível, a geração de energia torna-se mais custosa, e esse valor é, inevitavelmente, repassado ao consumidor, o que gera pressão inflacionária, num contexto em que o Banco Central projeta uma inflação de 3,4% e o mercado, de 3,9%, para 2026.
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Embora as projeções de inflação tendam a convergir, o cenário exige vigilância. O custo elevado da energia é um fator que pode desencadear uma espiral inflacionária prejudicial ao desenvolvimento do país.
Além do clima, os subsídios da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) oneram todos os usuários. Atualmente, brasileiros de baixa renda acabam subsidiando tecnologias como a energia solar, acessível aos mais ricos, o que acentua desigualdades e pressiona o orçamento das famílias e empresas.
No cenário global, estudos do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional comprovam que não enfrentar as mudanças climáticas causa perda potencial de PIB. O impacto atinge o desenvolvimento das empresas e compromete as futuras gerações, tornando esse enfrentamento uma pauta econômica urgente.
Países emergentes enfrentam o desafio do “catch-up”, onde os altos custos da transição climática dificultam que nações de renda média alcancem a renda alta. Sem o devido enfrentamento global, os custos adicionais impostos pelo clima podem frear o avanço desses territórios no futuro.
