A reunião de ontem no CT Joaquim Grava não foi protocolar. Estavam na sala o presidente Osmar Stábile, o executivo Marcelo Paz, o técnico Dorival Júnior, o próprio José Martínez e o empresário do jogador. O tema não era apenas a lesão no joelho. Era o futuro contratual do atleta no Corinthians.
Internamente, a intenção do clube é clara: avaliar a rescisão de contrato. O desgaste provocado pelo longo período fora do Brasil, a ausência sem prazo definido e agora o diagnóstico de rompimento do ligamento cruzado anterior colocaram o caso em outro nível. A confiança ficou abalada.
Martínez apresentou sua versão. Disse que sentiu dores ainda na final da Copa do Brasil contra o Vasco, no dia 21 de dezembro, e que teria informado ao clube antes de viajar à Venezuela. Segundo ele, continuou relatando desconforto no joelho mesmo fora do país.
O problema é que surgiram registros do jogador participando de partidas festivas na Venezuela, incluindo a chamada “partida das estrelas” no dia 25 de dezembro — ou seja, depois de já ter comunicado dores ao Corinthians. A dúvida central é simples: se havia lesão no ligamento, como ele entrou em campo?
É justamente aí que entra a cautela do clube. Para rescindir o contrato, o Corinthians precisaria comprovar que a lesão ocorreu fora do âmbito profissional e em situação não autorizada. Caso contrário, a legislação esportiva protege o atleta, e o clube teria obrigação de custear todo o tratamento até a recuperação total.
O departamento jurídico trabalha com extremo cuidado. A diretoria não quer tomar uma decisão precipitada e depois enfrentar uma ação trabalhista ou esportiva com risco de indenização milionária. O contrato de Martínez vai até 2027, e qualquer erro de procedimento pode custar caro.
Portanto, o cenário é este: o Corinthians tem intenção de encerrar o vínculo, mas não pode agir no impulso. Primeiro, precisa de provas sólidas. Se conseguir demonstrar que houve negligência ou quebra contratual, abre-se caminho para a rescisão. Se não conseguir, terá de cumprir o contrato e tratar o jogador normalmente.
É um caso que mistura desgaste esportivo, risco jurídico e gestão. E, neste momento, a palavra que define o movimento do Corinthians é uma só: cautela.
