O ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, afirmou nesta quarta-feira (11/02) que Moscou manterá as restrições ao seu arsenal nuclear mesmo após a expiração do tratado New START, desde que os Estados Unidos também respeitem os mesmos limites. A declaração ocorre seis dias depois que o acordo bilateral de controle de armas nucleares expirou, deixando as duas potências sem mecanismos formais de verificação.
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Durante pronunciamento no Parlamento russo, Lavrov especificou que as limitações “continuarão em vigor, mas apenas se os Estados Unidos não ultrapassarem os limites estabelecidos”. O chanceler acrescentou que seu país adotará uma postura “responsável” sobre questões nucleares, baseada em “uma análise da política militar americana”.
O New START, assinado em 2010, deixou de vigorar em 5 de fevereiro de 2026, criando um vácuo no controle de armas nucleares entre as duas nações que possuem os maiores arsenais atômicos do planeta.
Na semana passada, o Kremlin informou que ambos os países concordaram em manter uma abordagem “responsável” e continuar negociações sobre o tema, apesar do fim formal do acordo.
Limitações estabelecidas pelo acordo
O tratado impunha um teto de 1.550 ogivas nucleares estratégicas mobilizadas para cada país, o que representou uma redução de aproximadamente 30% em relação ao limite anterior estabelecido em 2002.
As restrições se aplicavam tanto em território russo quanto americano, abrangendo todas as instalações militares onde os arsenais nucleares estão localizados.
Inspeções suspensas
Além dos limites quantitativos, o acordo também previa inspeções presenciais nas instalações nucleares de ambos os países. No entanto, essas visitas foram interrompidas em 2023, anos antes da expiração completa do tratado.
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Perspectivas para um novo acordo
O presidente americano Donald Trump, que não respondeu à proposta de prorrogação feita por Moscou, manifestou-se favorável a “um novo tratado aprimorado e modernizado”. Segundo o mandatário, o New START foi “mal negociado” durante a administração de Barack Obama.
Washington defende a inclusão da China em futuras negociações sobre limitação de armas nucleares, proposta que Pequim rejeita, argumentando que seu arsenal é consideravelmente menor que o das duas potências.
As negociações para um possível novo tratado devem continuar, conforme anunciado pelo Kremlin, com ambas as partes sinalizando intenção de manter o diálogo sobre controle de armas nucleares.
