Em manifestação exclusiva à TMC, a Prefeitura de São Paulo voltou a cobrar providências diante da crise no fornecimento de energia elétrica após os apagões registrados em dezembro de 2025. A manifestação ocorre após a área técnica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) classificar como “insatisfatória” a atuação da Enel São Paulo durante os eventos climáticos que deixaram milhares de consumidores sem luz por até seis dias.
O parecer da Aneel, divulgado em 11/02, aponta baixa produtividade das equipes mobilizadas, redução do efetivo no período noturno e problemas logísticos, como falta de veículos de grande porte. O documento também menciona indícios de falhas ou ausência de manutenção na rede elétrica. A análise integra o processo que pode resultar na caducidade do contrato da concessionária.
Na avaliação da administração municipal, o relatório técnico é “devastador”, mas ainda não retrata totalmente a dimensão dos problemas enfrentados pela população. Um dos pontos destacados é a divergência sobre o número de equipes em campo. O relatório menciona 1.600 equipes, dado que, segundo a prefeitura, não corresponderia à realidade observada durante a crise.
A gestão municipal também questiona o conceito utilizado pela concessionária para definir “equipe”. De acordo com a crítica, a empresa consideraria como equipe até mesmo um veículo de passeio isolado, quando, na prática operacional, o termo deveria se referir a um conjunto estruturado de veículos e profissionais aptos a executar o serviço completo de restabelecimento.
Além do impacto direto sobre moradores e comerciantes, a prefeitura afirma que a demora na recomposição do serviço comprometeu serviços públicos e atividades econômicas, ampliando os prejuízos na capital e na região metropolitana.
Em resposta, a Enel São Paulo afirmou que cumpriu integralmente os critérios estabelecidos no Plano de Recuperação apresentado à Aneel em 2024. A empresa declarou ter colaborado de forma transparente com o órgão regulador e sustentou que seus indicadores de qualidade vêm apresentando melhora desde 2023.
Segundo a concessionária, houve redução de 66% no percentual de clientes afetados por interrupções prolongadas entre 2023 e 2025. O Tempo Médio de Atendimento a Emergências teria caído de 832 para 434 minutos no mesmo período. A empresa também informou que, no evento de dezembro, 84% dos clientes tiveram o serviço restabelecido em até 24 horas e 95% em até 48 horas.
O processo segue sob análise na Aneel. Caso seja confirmada a caducidade, o contrato da Enel poderá ser encerrado antes do prazo previsto. Enquanto isso, a prefeitura mantém a cobrança por medidas que garantam maior capacidade de resposta a eventos extremos e melhoria efetiva no atendimento à população.
