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Caso Epstein gera confronto entre deputados e procuradora-geral nos EUA

Caso volta ao centro do debate político nos EUA após divulgação de mais de 3 milhões de páginas

Um deputado republicano acusou nesta quarta-feira (12/02) a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, de ocultar nomes de pessoas influentes ligadas ao financista Jeffrey Epstein. A crítica ocorreu durante audiência no Comitê Judiciário da Câmara, marcada por embates sobre a divulgação dos arquivos da investigação conduzida pelo Departamento de Justiça (DOJ).

O deputado Thomas Massie (Kentucky), que lidera esforços para tornar públicos os documentos do caso, afirmou que houve “falha grave” no cumprimento da lei federal que determina a liberação de quase todo o material. Ele questionou por que o nome do bilionário Leslie Wexner foi suprimido em um documento do FBI que lista possíveis coautores no esquema de tráfico sexual associado a Epstein.

Bondi respondeu que o nome de Wexner aparece em outros arquivos já divulgados e afirmou que o DOJ corrigiu a omissão “em 40 minutos” após o apontamento de Massie. O parlamentar rebateu: “Quarenta minutos depois de eu pegá-la em flagrante”.

A audiência foi marcada por uma série de confrontos entre Bondi e integrantes do comitê, que criticaram o volume de trechos censurados e de documentos retidos pelo departamento. Parlamentares afirmam que as edições vão além das exceções previstas na lei aprovada pelo Congresso em novembro, que trata da transparência dos arquivos.

No fim do mês passado, o DOJ divulgou o que classificou como a última leva de mais de 3 milhões de páginas de documentos sobre o caso Epstein. O material voltou a expor a relação do financista com empresários e figuras públicas, inclusive após sua condenação por aliciar uma menor.

Bondi afirmou que mais de 500 advogados trabalharam sob prazo apertado na análise dos documentos e disse que eventuais divulgações indevidas de nomes de vítimas foram involuntárias. “Passei toda a minha carreira lutando pelas vítimas e continuarei a fazê-lo”, declarou.

Troca de farpas

Leslie Wexner, fundador da L Brands, dona da Victoria’s Secret, contratou Epstein como gestor financeiro a partir dos anos 1980. Segundo Wexner, o financista usou recursos para adquirir propriedades e bens sem autorização. Ele afirma ter rompido relações em 2007, quando Epstein foi acusado pela primeira vez. Wexner nega ter conhecimento das atividades criminosas e nunca foi acusado formalmente.

Os arquivos de Epstein têm gerado desgaste para Bondi desde o início de sua gestão. A decisão inicial do DOJ, no verão passado nos EUA, de não divulgar novos documentos provocou reação de parte da base conservadora.

O caso também reacendeu questionamentos sobre a antiga relação social entre o presidente Donald Trump e Epstein, que morreu em 2019, em aparente suicídio, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.

Durante a audiência, a deputada democrata Pramila Jayapal pediu que Bondi se desculpasse com vítimas presentes na galeria, após a divulgação de documentos que incluíam nomes em alguns casos. Bondi rebateu, questionando por que a cobrança não foi feita ao seu antecessor no governo de Joe Biden e acusou a parlamentar de promover “teatralidade”.

A audiência ocorreu um dia depois de um grande júri federal decidir não indiciar seis deputados democratas por um vídeo em que pediam às Forças Armadas que não cumprissem ordens consideradas ilegais.

Leia mais: Casa Branca não confirma conversa de Trump com a polícia sobre Epstein

Nos últimos meses, o Departamento de Justiça também tem sido alvo de críticas por investigações envolvendo adversários políticos de Trump. A pasta tentou, sem sucesso, processar o ex-diretor do FBI James Comey e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, ambos ligados a investigações anteriores contra o presidente.

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