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Kremlin bloqueia WhatsApp na Rússia por recusa em seguir legislação local, confirma porta-voz

Suspensão afeta cerca de 100 milhões de usuários russos e ocorre após Facebook e Instagram também serem bloqueados

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou nesta quinta-feira (12/02) o bloqueio do WhatsApp em território russo. A suspensão do aplicativo de mensagens da Meta ocorreu devido à recusa da plataforma em seguir a legislação local. O Financial Times havia divulgado ontem que Facebook e Instagram também foram bloqueados no país.

“Essa decisão de fato foi tomada e implementada [pela] relutância do WhatsApp em cumprir as normas e a letra da lei russa”, afirmou Peskov durante coletiva de imprensa.

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As autoridades russas suspenderam o acesso ao WhatsApp por considerar que o aplicativo não segue as regulamentações locais para armazenamento de dados e controle de conteúdo classificado pelo governo como “extremistas”.

A ação foi executada na quarta-feira (11/02), quando o WhatsApp, Facebook e Instagram foram removidos do diretório online mantido pelo Roskomnadzor, órgão regulador da internet na Rússia. Peskov não mencionou essas outras plataformas durante a coletiva.

A medida impacta aproximadamente 100 milhões de usuários do WhatsApp na Rússia, conforme dados da própria empresa. Usuários de outras plataformas da Meta também enfrentam dificuldades de acesso.

O governo de Vladimir Putin tem intensificado o controle sobre plataformas digitais estrangeiras em todo território russo. A remoção das plataformas do diretório do Roskomnadzor dificulta o acesso a esses serviços sem o uso de meios alternativos, como redes privadas virtuais (VPNs).

Quando questionado sobre possíveis bloqueios ao Telegram, Peskov evitou responder diretamente. O Telegram, que já teve suas chamadas de voz bloqueadas, serve como principal meio de comunicação não militar entre soldados no front da guerra na Ucrânia e suas famílias.

Em paralelo às restrições às plataformas estrangeiras, o governo russo promove o uso do Max, aplicativo desenvolvido pelo próprio Estado. O Max é descrito como um “super aplicativo” por combinar funcionalidades de mensagens e serviços governamentais. Foi criado pela rede social russa VKontakte (VK), controlada por aliados de Putin.

Diferentemente do WhatsApp, o Max não possui criptografia, o que permitiria a terceiros acessarem as conversas dos usuários, segundo o Financial Times. O governo russo nega essas acusações.

A Meta contestou a decisão do governo russo em comunicado oficial. “Tentar isolar mais de 100 milhões de usuários de uma comunicação privada e segura é um retrocesso e só pode levar a menos segurança para as pessoas na Rússia”, declarou a empresa.

Em outra declaração ao Financial Times, o WhatsApp afirmou: “Hoje, o governo russo tentou bloquear completamente o WhatsApp, numa tentativa de direcionar os usuários para um aplicativo de vigilância estatal”.

Pavel Durov, cofundador do Telegram, criticou as restrições ao seu aplicativo. Ele afirmou que a Rússia tenta forçar sua população a migrar para o Max, chamado por ele de “mensageiro nacional”. “Há oito anos, o Irã tentou a mesma estratégia e falhou”, disse Durov. “Apesar da proibição, a maioria dos iranianos ainda usa o Telegram, contornando a censura, e o prefere em vez de aplicativos monitorados”.

Durov acrescentou: “Restringir a liberdade dos cidadãos nunca é a resposta certa. O Telegram defende a liberdade de expressão e a privacidade, independentemente da pressão”.

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