A OpenAI, empresa dona do ChatGPT, demitiu Ryan Beiermeister, vice-presidente da equipe de políticas de produto, após acusações de discriminação sexual contra um colega homem. A executiva foi desligada em janeiro de 2026, em meio a controvérsias sobre sua oposição ao novo recurso de conteúdo erótico planejado para o ChatGPT. O caso ganhou visibilidade após sua participação no Fórum da Paz de Paris.
A demissão ocorreu quando Beiermeister retornou de um período de licença. A empresa formalizou o desligamento citando especificamente um caso de discriminação sexual como motivo. O episódio acontece justamente enquanto a OpenAI prepara o lançamento de uma funcionalidade que permitirá a criação de conteúdo adulto usando inteligência artificial.
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Pesquisadores da própria OpenAI manifestaram preocupações sobre os potenciais riscos do “Modo Adulto”. Estudos indicam que algumas pessoas desenvolvem vínculos emocionais prejudiciais com chatbots, situação que poderia se agravar com a introdução de conteúdo sexual na plataforma.
Antes de ser demitida, Beiermeister havia comunicado a colegas sua oposição à nova funcionalidade. A executiva expressou preocupações específicas sobre possíveis efeitos negativos para os usuários do serviço.
Beiermeister ingressou na OpenAI em meados de 2024, como parte de um grupo de profissionais vindos da Meta. Esses contratados se consideravam agentes de mudança dentro das empresas de tecnologia, conforme relataram pessoas com conhecimento do assunto.
Como vice-presidente, ela liderava a equipe responsável por desenvolver regras para uso dos produtos da empresa e projetar mecanismos para aplicação dessas políticas. Em 2025, a executiva criou um programa de mentoria entre pares para mulheres na OpenAI, conectando funcionárias de diferentes departamentos em pequenos grupos para discutir estratégias de carreira.
“A alegação de que eu discriminei alguém é absolutamente falsa”, declarou Beiermeister em resposta às acusações. Por outro lado, uma porta-voz da OpenAI afirmou que a executiva “fez contribuições valiosas durante seu tempo na OpenAI, e sua saída não estava relacionada a qualquer questão que ela tenha levantado enquanto trabalhava na empresa.”
Antes de sua demissão, Beiermeister havia argumentado que os mecanismos da empresa para impedir conteúdo de exploração infantil não eram suficientemente eficazes e que a companhia não conseguiria isolar adequadamente o conteúdo adulto dos adolescentes.
O ChatGPT, principal produto da OpenAI, atrai mais de 800 milhões de usuários semanalmente. A empresa planeja monetizar esse engajamento com publicidade e deve prosseguir com o lançamento do “Modo Adulto” no início deste ano, apesar das preocupações internas.
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Sam Altman, CEO da OpenAI, defendeu a expansão do conteúdo permitido na plataforma como parte de um esforço para “tratar usuários adultos como adultos”. Em contrapartida, membros de um conselho consultivo sobre “bem-estar e IA” expressaram oposição ao recurso e solicitaram que a empresa reconsiderasse seus planos.
A OpenAI também continua monitorando seus concorrentes, tendo declarado um “código vermelho” em dezembro após o sucesso e crescimento do chatbot Gemini do Google.
