Promotores federais divulgaram na última terça-feira (10/02) vídeos de câmeras corporais que mostram Marimar Martinez, professora de 31 anos, sendo baleada por Charles Exum, agente da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos. O incidente ocorreu em 4 de outubro de 2025, durante uma operação de imigração em Chicago, mas as gravações só foram disponibilizadas agora, contradizendo a versão oficial apresentada pelo governo de Donald Trump.
As imagens revelam que Martinez foi atingida após uma colisão entre seu carro e a viatura da Patrulha de Fronteira. A professora, cidadã americana, acompanhava os agentes para alertar moradores sobre a presença da operação quando o incidente aconteceu. Exum também aparece em mensagens de texto se gabando de ter deixado a vítima “com sete buracos” em virtude de seus cinco disparos.
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O governo dos EUA havia inicialmente afirmado que Martinez realizou uma “emboscada” contra os agentes, justificando os disparos como legítima defesa. As gravações agora divulgadas sugerem que os próprios agentes podem ter provocado a colisão com o veículo da professora.
De acordo com o processo, Exum disparou cinco vezes contra Martinez. Em mensagens de texto posteriormente divulgadas, o agente se vangloriou da própria pontaria: “Disparei cinco vezes e ela ficou com sete buracos. Coloquem isso no livro, rapazes.”
Nas imagens divulgadas pelos promotores, é possível ouvir um dos agentes dizendo “fala alguma coisa, vadia” pouco antes da colisão. Em seguida, outro afirma que estavam sendo cercados, declarando: “Está na hora de ficar agressivo”. Momentos depois, o vídeo mostra Exum virando bruscamente o volante. Um agente então diz: “Fomos atingidos, fomos atingidos”, após o que Exum abre a porta com a arma em punho e efetua os disparos.
A investigação descobriu que Exum conduziu o carro da Patrulha de Fronteira envolvido no caso até uma base no estado do Maine, onde o veículo passou por reparos antes que pudesse ser examinado pelos investigadores.
Os registros incluem um e-mail enviado no dia do tiroteio pelo oficial Gregory Bovino, então comandante responsável por operações em Los Angeles, Chicago e Minneapolis. Na mensagem, ele agradece a Exum pelo “excelente serviço” e sugere que ele adie a aposentadoria, escrevendo: “Você ainda tem muito a fazer!”
Ainda não está definido se haverá consequências legais para Exum ou para os demais envolvidos. Também permanece incerto se o Departamento de Segurança Interna dos EUA revisará sua posição sobre o incidente após a divulgação das novas evidências.
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As gravações agora integram o processo investigativo. Após o incidente, Martinez chegou a ser denunciada por obstruir um agente federal, mas as acusações foram retiradas em novembro de 2025. Mesmo assim, o Departamento de Segurança Interna manteve uma publicação classificando a professora como “terrorista doméstica”.
Martinez solicitou a divulgação das imagens após as mortes de dois manifestantes baleados por agentes federais de imigração em Minneapolis no mês passado. Seu advogado, Christopher Parente, informou que pretende entrar com uma ação civil contra as autoridades dos EUA relacionadas ao caso.
