Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, acusou o Comitê Olímpico Internacional (COI) de “apoio” à Rússia devido à desclassificação do atleta ucraniano Vladyslav Heraskevych dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina.
A decisão foi tomada nesta quinta-feira (12/02) após o competidor de skeleton usar um capacete com fotos de atletas mortos durante o conflito entre os dois países em um treino oficial realizado na segunda-feira (10/02).
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O COI justificou a medida afirmando que Heraskevych descumpriu as “Diretrizes do COI sobre Expressão dos Atletas”. O equipamento foi considerado uma “violação das regras relativas à expressão política” estabelecidas na Carta Olímpica. O atleta não aceitou alternativas propostas pelo Comitê para se manifestar após sua prova.
A desclassificação foi confirmada pelo júri da Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton (IBSF) e pelo Comitê Internacional, que interpretaram o capacete com homenagens como manifestação política inadequada para o ambiente olímpico. A federação ucraniana apresentou recurso defendendo o uso do que denominou “capacete da memória”, mas a decisão foi mantida.
Em suas redes sociais, Zelensky argumentou que o movimento olímpico deveria trabalhar para interromper conflitos, não apoiar agressores. O presidente ucraniano defendeu que o capacete representava honra e memória, sem infringir regras.
Heraskevych, de 26 anos e porta-bandeira da Ucrânia na Cerimônia de Abertura, homenageava pessoas que perderam suas vidas durante a invasão russa, incluindo o patinador artístico Dmytro Sharpar, falecido há dois anos, e o biatleta Yevhen Malyshev, morto no conflito em março de 2022. Alguns dos homenageados eram amigos pessoais do atleta.
As competições de skeleton estavam programadas para acontecer nesta quinta na Itália, sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.
Zelensky apresentou dados sobre o impacto do conflito no esporte ucraniano. Segundo ele, 660 atletas e treinadores do país foram mortos pela Rússia desde o início da invasão em larga escala. Em contrapartida, 13 atletas russos participam da Olimpíada sob bandeiras “neutras”.
O presidente ucraniano também acusou a Rússia de violar “constantemente os princípios olímpicos” ao utilizar períodos de Jogos para iniciar conflitos. Ele citou a guerra contra a Geórgia em 2008, a ocupação da Crimeia em 2014 e a invasão da Ucrânia em 2022.
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Em sua defesa, Heraskevych publicou em suas redes sociais uma foto usando o polêmico capacete com a legenda: “Este é o preço da nossa dignidade”.
O atleta afirmou que não pretendia criar um conflito com o COI. “Eu nunca quis um escândalo com o COI, e não fui eu quem o criou. O COI o criou com sua interpretação das regras, que muitos consideram discriminatória.”
Em outra manifestação, o competidor escreveu que a decisão partiu seu coração e que sentia como se o COI estivesse cometendo uma “traição” contra atletas que fizeram parte do Movimento Olímpico.
Heraskevych já havia se manifestado publicamente contra a guerra durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim-2022, quando exibiu uma placa com a mensagem “Não à guerra na Ucrânia”.
