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Carnaval eleva risco de torções e fraturas em bloquinhos de rua; saiba como evitar

Festas de rua reúnem fatores como cansaço, calor, bebida alcoólica e calçados inadequados, que elevam o número de lesões durante a folia

Durante o Carnaval, aumentam os casos de lesões ortopédicas, principalmente em bloquinhos de rua. Segundo o ortopedista Dr. Fabiano Nunes, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, o ambiente da folia combina uma série de fatores que favorecem quedas e torções.

De acordo com o especialista, longos períodos em pé, pulando e dançando, aliados ao consumo de bebida alcoólica, reduzem o estado de alerta e aumentam o risco de acidentes. O cansaço muscular também compromete a estabilidade do corpo.

“O ambiente de bloquinho de carnaval é extremamente propício para esses tipos de lesões, porque combina vários fatores de risco: a quantidade de tempo em pé, pulando, dançando; bebida alcoólica que faz a pessoa perder parte do estado de alerta; além do cansaço pela ação muscular excessiva”, afirma nunes.

Outro ponto de atenção é o local das festas. Como muitos blocos acontecem nas ruas, o piso irregular, com buracos e desníveis, favorece tropeços. Em meio à multidão, a visibilidade do chão é reduzida, o que dificulta a prevenção de quedas. “Como alguns blocos ficam cheios, com pouco espaço de mobilidade e visibilidade do chão, não é incomum ter quedas já que a pessoa não identifica buracos ou irregularidades”, explica.

Torções e fraturas estão entre as lesões mais comuns

As entorses de tornozelo e joelho lideram os atendimentos nesse período. Elas podem variar de quadros leves, com dor moderada e melhora em poucos dias, até casos mais graves, que exigem imobilização ou até cirurgia.

Fraturas também são frequentes, principalmente em situações de queda ou empurrões em meio à multidão. As mais comuns atingem o punho, já que, ao cair, a reação natural é apoiar as mãos no chão. Há ainda registros de fraturas no ombro e no cotovelo. “As fraturas acontecem com muita frequência por causa de queda, quando a pessoa tropeça, desequilibra ou é empurrada na multidão. As mais comuns atingem o punho”, ressalta o médico. Lesões mais graves, como traumas na cabeça, podem ocorrer, embora sejam menos frequentes.

Calçado inadequado aumenta risco de lesões

O uso de calçados impróprios é um dos principais agravantes. Sapatos instáveis, escorregadios ou com solado desgastado favorecem torções e quedas. “O calçado é a base de estabilidade ao andar e correr. Um sapato estável, não escorregadio, com amortecimento e firme, diminui o risco de fraturas e lesões”, orienta.

Saltos altos alteram o centro de gravidade do corpo, concentrando o peso na parte frontal dos pés e aumentando a sobrecarga nos joelhos e na coluna. Já chinelos e rasteirinhas oferecem pouca estabilidade, podendo sair do pé ou virar com facilidade, o que eleva o risco de tropeços. “Quem usa chinelos ou rasteirinhas durante o Carnaval não tem estabilidade fixa no pé e é comum vermos o sapato virar ou sair do pé, o que aumenta o risco de queda”, alerta.

O ideal é optar por calçados fechados, firmes, com bom amortecimento e solado em bom estado de conservação.

Quando procurar atendimento médico

Após uma queda, é importante observar os sinais. Dor intensa, deformidade visível, inchaço rápido com coloração roxa ou incapacidade de apoiar o pé no chão são indícios de lesão mais grave e exigem atendimento médico imediato.

Nos casos mais leves, em que não há sinais de gravidade, recomenda-se repouso e aplicação de gelo na região afetada. Ainda assim, a avaliação médica posterior é indicada para evitar complicações futuras.

Saiba como curtir do primeiro ao último bloco sem lesões

  • Pés no chão (com segurança): esqueça calçados novos ou desconfortáveis. O tênis com bom amortecimento é seu melhor amigo. Ele absorve o impacto do asfalto e protege contra pisadas falsas em superfícies irregulares.
  • Logística da carga: se precisar levar mochila, use as duas alças presas ao corpo. Carregar peso em um ombro só por muitas horas desalinha a coluna e pode causar uma contratura muscular que vai te tirar do jogo no segundo dia.
  • Pausas estratégicas: não tente ser um herói da resistência. A cada 2 ou 3 horas de folia, procure um lugar para sentar e elevar os pés por 10 minutos. Isso auxilia o retorno venoso e reduz o inchaço nas pernas.
  • Hidratação inteligente: p álcool e o calor desidratam os tecidos, tornando os músculos mais suscetíveis a estiramentos. A regra é clara: água o tempo todo, mesmo sem sede.
  • Cuidado com movimentos repetitivos: pular o tempo todo da mesma forma sobrecarrega joelhos e calcanhares. Varie o passo e evite movimentos bruscos de “arranque” se o seu corpo não estiver acostumado com exercícios físicos.
  • Alimentação leve: evite comidas pesadas ou muito gordurosas antes do bloco. O esforço físico sob o sol exige muito do sistema digestivo, o que pode causar tonturas e quedas (causando lesões por impacto).

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