Passados três dias do naufrágio que ocorreu no Encontro das Águas, em Manaus, sete pessoas seguem desaparecidas. Dentre elas, Apoliana Almeida e Romualdo de Almeida, respectivamente mãe e avô de João Henrique, sobrevivente de 17 anos, que relatou como foi sua última conversa com a matriarca.
“Eu estava sem colete. Ela me deu o dela, sendo que eu sei nadar e ela não sabia. Ela ficou segurando em mim, mas o desespero bateu. As últimas palavras dela foram: ‘filho, se salva’. Depois disso, ela sumiu“, disse João Henrique em entrevista à Rede Amazônica.
Até o momento, duas mortes já foram confirmadas, sendo uma criança e uma jovem de 22 anos, além dos sete desaparecidos. Segundo o Corpo de Bombeiros, 71 pessoas já foram resgatadas com vida no acidente que aconteceu na última sexta-feira (13/02) durante a travessia de Manaus a Nova Olinda do Norte.
Acompanhe tudo o que acontece no Brasil e no mundo: siga a TMC no WhatsApp
“Meus pais sempre foram meus melhores amigos. Sempre fizeram tudo por mim. E foi isso que eles fizeram naquele momento: me salvaram“, desabafou o adolescente na sequência.
Outra criança salva em cooler
João Henrique não foi o único sobrevivente da família. Além dele, Diulia Morais, nora de Romualdo de Almeida, conseguiu salvar a si e seu filho, o pequeno Benjamin, que foi colocado em um cooler para sair do naufrágio. “Foi muito difícil. É horrível ver seu filho tomando água, saindo água pelo nariz”, desabafou a mãe.
Dyulia Morais também contou como foram os momentos antes do desastre: “Nós estávamos planejando estar todo mundo junto, aí começou a chover e acabei atrasando. A gente atrasou um pouco por causa da chuva.“
“Quando cheguei, ela disse que tinha colocado o nome nas pulseirinhas para ninguém perder. Depois brincou dizendo: ‘essa tua parceira morre de medo de lancha’. Quando a gente mal saiu, ela começou a gritar“, emendou, relatando a conversa com Apoliana.
Bombeiros apontam complexidades em busca por desaparecidos
O Corpo de Bombeiros e a Marinha do Brasil seguem buscando os desaparecidos com mergulhadores, embarcações, drones e voos aéreos. Inclusive, a embarcação foi encontrada a 50 metros de profundidade.
Leia mais: Ônibus com trabalhadores rurais tomba na BR-153 e deixa seis mortos
Contudo, coronel Muniz, comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, relatou que vem sendo bastante complexo buscar sobreviventes devido às correntes geradas pelo encontro entre os rios Negro e Solimões, que foi o que naufragou a embarcação.
“Fatores hidrodinâmicos do Encontro das Águas interferem muito nas operações de busca. Nós temos mudanças de direcionamento das correntes de arrasto, principalmente do Rio Solimões, que tem uma correnteza mais forte. Nós temos diferença de densidade de temperatura no Encontro das Águas. A profundidade é muito grande também. Isso é um complicador para as operações”, pontuou o coronel Muniz.
Para auxiliar nas buscas, o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) do Estado de São Paulo enviou um capitão e mais cinco bombeiros militares.
