A madrugada desta terça-feira (17/02) entrou para a história da Unidos do Viradouro e do Carnaval carioca. Homenageado em vida pelo enredo “Pra Cima, Ciça”, o mestre de bateria não conteve a emoção ao resumir o sentimento que tomou conta da Marquês de Sapucaí: “O samba venceu aqui hoje. Eu tenho muito orgulho de ter participado disso.”
Aos 69 anos, com 38 carnavais ininterruptos atravessando a avenida, segundo ele, Ciça destacou o simbolismo de sua trajetória. “No maior carnaval do mundo, uma pessoa humilde, de bateria, um mestre que há 38 anos ininterruptos passa nessa avenida. Só tenho orgulho de viver o maior carnaval do mundo.”
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A homenagem marcou a primeira vez que uma escola do Grupo Especial dedicou um enredo a um integrante ainda em vida. Um dos momentos mais aplaudidos da noite aconteceu logo na Comissão de Frente, quando Ciça foi elevado em um tripé em formato de apito. A bateria, conhecida como Furacão Vermelho e Branco, seguiu firme mesmo sem o mestre à frente naquele instante. Ele detalhou a emoção da travessia: “Todos os momentos foram especiais. Na escola, depois a comissão de frente, depois a volta para a bateria que foi feita uma estrutura para eu chegar na bateria.”
O esforço físico também foi superado pela força da memória e do afeto. “Eu tenho 70 anos [69, ele completa 70 no dia 20 de julho]. Não foi fácil para mim, o preparo físico. Ir lá na comissão de frente, voltar. Mas ela me ajudou”, disse, referindo-se à mãe já falecida. Cercado pela família e por intérpretes convidados para a apresentação, ele celebrou: “Estou feliz pelo desfile. Encontro de vários intérpretes. Fico honrado de receberem o meu convite e aceitarem. Minha família, todos estavam aqui.”
A reverência ultrapassou os limites da vermelho e branco de Niterói. Intérprete da Portela, Zé Paulo Sierra resumiu o sentimento do mundo do samba: “Ciça é uma lenda viva do carnaval. Tem um legado, muita história. Homenageado devidamente e justamente em vida. Isso é o mais importante.”
Com alegorias luxuosas, acabamento refinado e forte carga emocional, a Viradouro se posiciona como candidata ao título do Carnaval 2026. Mas, independentemente das notas, a noite já está marcada na história. Porque, como definiu o próprio homenageado, quando o samba vence, todos vencem junto.
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