A Paraíso do Tuiuti transforma a Marquês de Sapucaí em um grande palco de celebração à ancestralidade na noite desta terça-feira (17/02) na Sapucaí. A escola cruza a avenida com uma narrativa que ultrapassa fronteiras geográficas para exaltar a força criativa e a resistência do povo preto, colocando no centro do espetáculo um debate sobre identidade e invenção cultural.
O professor e historiador Luiz Antonio Simas, um dos compositores do samba-enredo, destaca a dimensão histórica do momento. Para ele, o Carnaval que se desenrola diante do público nasce da criação popular negra no Rio de Janeiro. “Esse espetáculo que estamos assistindo aqui é uma criação, uma invenção do povo preto da cidade do Rio de Janeiro”, afirma.
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Na avenida, o enredo “Lonã Ifá Lukumí” apresenta uma proposta inédita: um “triângulo” cultural que une África, Cuba e Brasil. A abordagem rompe com a visão isolada que muitas vezes marca a relação do país com a América Latina. “Quando conseguimos fazer esse triângulo que a Tuiuti propõe — África, Cuba e Brasil — isso é muito forte. Um enredo como esse nunca cruzou essa avenida”, ressalta Simas.
Ao conectar matrizes afro, caribenhas e brasileiras, a escola reforça uma mensagem de integração. “O Brasil tem a mania de se sentir à parte da América Latina. Falar de um enredo afro, caribenho e brasileiro é muito bacana. A mensagem é de união e de alegria”, completa.
Com o desfile em andamento, a Tuiuti confirma a aposta em um espetáculo que combina reflexão histórica, potência cultural e celebração coletiva, marcando a Sapucaí com uma narrativa ampla e simbólica.
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