Hugo Motta mantém Derrite como relator do PL Antifacção e Câmara retoma análise

Projeto integra pacote do governo Lula contra o crime organizado e pode ser votado na próxima semana

Por Redação TMC | Atualizado em
Hugo Motta e Guilherme Derrite na Mesa Diretora da Câmara
Hugo Motta (esq.) e Guilherme Derrite (dir.) na Mesa Diretora da Câmara (Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou nesta quinta-feira (19/02) a manutenção do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do projeto que cria o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado, conhecido como PL Antifacção.

A proposta já havia sido aprovada pelos deputados, mas retornou à Câmara após sofrer alterações no Senado. A expectativa é que o texto volte à pauta a partir da próxima semana.

Além de confirmar Derrite na relatoria, Motta se reuniu com integrantes da Casa Civil, do Ministério da Justiça e da Secretaria de Relações Institucionais para discutir o andamento do projeto. De acordo com interlocutores, o presidente da Câmara informou ao governo que a Casa tende a defender a manutenção do texto aprovado pelos deputados em novembro.

O governo federal, autor da proposta, havia manifestado incômodo com a escolha de Derrite na primeira fase de tramitação. À época, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliaram que o relatório poderia descaracterizar pontos defendidos pelo Ministério da Justiça. No início deste mês, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, chegou a defender a substituição do relator.

Motta, porém, já havia sinalizado que considerava “natural” a permanência de Derrite, decisão formalizada agora por despacho. Para o presidente da Câmara, a retomada do diálogo demonstra que o ambiente de negociação com o governo está mantido.

O que prevê o projeto

O PL Antifacção integra o pacote de medidas do governo federal voltadas ao combate ao crime organizado. O texto endurece as punições para integrantes de organizações criminosas, com penas que podem chegar a 60 anos de prisão para determinadas condutas.

No Senado, o relator Alessandro Vieira (MDB-SE) promoveu mudanças na proposta. Em vez de criar uma nova legislação específica, o parecer aprovado pelos senadores optou por atualizar a atual Lei das Organizações Criminosas.

Entre os principais pontos do projeto estão:

  • aumento das penas para membros e lideranças de organizações criminosas;
  • possibilidade de agravamento da punição em situações específicas;
  • restrição à progressão de regime;
  • obrigatoriedade de cumprimento de pena em presídios federais de segurança máxima para chefes de facções e milícias;
  • mecanismos de integração entre forças de segurança;
  • autorização para monitoramento de conversas e visitas a presos ligados a organizações criminosas.

O projeto é tratado como prioridade pelo Palácio do Planalto na área de segurança pública. Além do PL Antifacção, o governo também busca avançar com a chamada PEC da Segurança.

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