Uma inovação científica brasileira, desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está trazendo novas perspectivas para pacientes com lesões na medula. Trata-se da polilaminina, uma molécula encontrada na placenta que possui a capacidade de auxiliar na regeneração nervosa e reverter quadros de paralisia.
Em entrevista ao Expresso TMC, o paciente Bruno Drummond compartilhou sua jornada de superação após ser diagnosticado com tetraplegia em 2018. Graças ao tratamento experimental coordenado pela cientista Tatiana Sampaio, Drummond conseguiu recuperar movimentos que, segundo prognósticos iniciais, seriam perdidos permanentemente.
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O início do tratamento e a “virada de chave”
A intervenção com a polilaminina no caso de Bruno começou apenas 24 horas após o seu acidente. Embora no início ele não tivesse plena consciência da complexidade do estudo, os resultados não tardaram a aparecer. Apenas três semanas depois, ele apresentou o primeiro movimento no dedão do pé direito.
“Esse foi um momento de virada. Quando você mexe uma extremidade, significa que o sinal percorreu o corpo inteiro, do cérebro até a ponta do pé”, explicou Bruno. Durante sua reabilitação na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), ele notou que sua evolução era significativamente mais rápida do que a de outros pacientes com lesões similares que não faziam parte do estudo.
O papel da reabilitação e o apoio familiar
Apesar do auxílio da molécula, a recuperação exigiu um esforço multidisciplinar e intenso. Bruno enfrentou dois anos de fisioterapia diária, em dois períodos (manhã e tarde). Ele descreve o processo como “voltar a ser um bebê”, reaprendendo tarefas básicas como segurar um copo de água e usar talheres.
O sucesso do tratamento foi atribuído a três pilares fundamentais:
- Disciplina: M-mantida com o apoio do pai, que garantiu a regularidade das sessões de fisioterapia.
- Apoio médico: oportunizado por seu tio, médico que tomou a decisão de incluí-lo no estudo da UFRJ.
- Saúde mental e fé: sustentadas por sua mãe, que manteve a esperança mesmo diante de diagnósticos pessimistas.
Esperança para o futuro
Atualmente, as pesquisas com a polilaminina continuam avançando. Cientistas buscam aperfeiçoar a aplicação da substância para casos de lesões crônicas (pacientes que já convivem com a lesão há muitos anos). Testes realizados em animais, como cães, têm apresentado resultados promissores.
Para Bruno, a mensagem principal a quem enfrenta uma lesão medular é a de não perder a esperança e investir na saúde psicológica. “A ciência está evoluindo muito rápido. É essencial manter o corpo em movimento e a mente saudável para estar pronto quando novas soluções surgirem”, conclui.
