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Brasil consolida-se como o 5º maior mercado de apostas do mundo

Com 191 casas registradas, arrecadação federal chega a R$ 3,8 bilhões; estudo aponta que até metade das apostas ocorre fora do sistema oficial

Um ano após o início das regras para o funcionamento das apostas esportivas no país, o Brasil registrou crescimento de quase 400% no número de empresas autorizadas a operar. Em janeiro de 2025, eram 37 sites registrados; atualmente, são 191, segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda.

Para atuar legalmente, as empresas precisam pagar licença de R$ 30 milhões, além de cumprir exigências financeiras e de controle para prevenir fraudes e lavagem de dinheiro.

De acordo com dados divulgados pelo governo no fim de agosto, a arrecadação federal com tributos sobre apostas esportivas somou cerca de R$ 3,8 bilhões até junho de 2025. O valor inclui impostos como IRPJ, CSLL, PIS/Cofins, Contribuição Previdenciária e os 12% de destinações sociais previstos na legislação.

Além disso, foram arrecadados:

  • R$ 2,2 bilhões em outorgas de autorização
  • Cerca de R$ 50 milhões em taxas de fiscalização, apenas no primeiro semestre

“O mercado brasileiro sempre apresentou um enorme potencial de crescimento, algo reconhecido por operadores nacionais e internacionais. Os resultados alcançados no primeiro ano de regulamentação reforçam essa percepção e demonstram a maturidade e a capacidade do setor em operar com tecnologia de ponta e mão de obra altamente qualificada — em níveis comparáveis aos dos principais mercados globais, como Estados Unidos e Reino Unido”, destaca Nickolas Ribeiro, fundador e Presidente do Conselho da Ana Gaming.

Nos seis primeiros meses do ano, o setor movimentou R$ 17,4 bilhões em receita bruta (GGR). A média de gasto por apostador ativo foi de R$ 983 por semestre (R$ 164 por mês).

Segundo a consultoria internacional Regulus Partners, o Brasil deve encerrar 2025 como 5º maior mercado de apostas do mundo, com faturamento estimado em US$ 4,139 bilhões (cerca de R$ 22 bilhões).

O país se aproxima de mercados como Itália (US$ 4,617 bilhões) e Rússia (US$ 4,515 bilhões). O Reino Unido ocupa a segunda posição (US$ 9,901 bilhões) e os Estados Unidos lideram (US$ 17,312 bilhões).

“O Brasil está entre os cinco maiores mercados do mundo, e isso se deve ao potencial que o país atingiu neste primeiro ano de regulamentação. Acredito que esse aumento era esperado, mas agora a indústria vai passar por um novo processo de entendimento e ficar mais restrita às plataformas que já estão operando, seguindo o caminho de países que já operam de forma legal há algum tempo e continuando a gerar novas fontes de receitas e empregos”, projeta Hans Schleier, diretor de marketing da Casa de Apostas.

O setor também ampliou presença no esporte nacional, por meio de patrocínios a clubes e campeonatos.

Mercado ilegal ainda movimenta mais que o dobro do setor autorizado

Apesar da expansão das empresas registradas, o mercado paralelo segue dominante. Em 2025, a SPA informa que mais de 22 mil páginas ilegais foram retiradas do ar pela Anatel, número que pode ultrapassar 30 mil até janeiro de 2026.

Levantamento da Yield Sec indica que 51% de todo o dinheiro apostado no país vem de sites ilegais. Já a LCA Consultores estima que essa informalidade provocou perda de arrecadação entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2,7 bilhões apenas no segundo trimestre de 2025.

Outro dado preocupante, do Instituto Locomotiva, é a dificuldade do consumidor em identificar plataformas legais: 78% dos apostadores afirmam não saber diferenciar sites autorizados de clandestinos.

Custos e risco de migração para o mercado paralelo

Um estudo da TMC, feito pelo Instituto Esfera e coordenado pelo professor Luís Fernando Massonetto (USP), aponta que os custos de conformidade impostos às empresas autorizadas podem acabar ampliando a vantagem competitiva das plataformas ilegais, que oferecem prêmios maiores e menos exigências ao usuário.

A pesquisa estima que o mercado clandestino movimente entre R$ 26 bilhões e R$ 40 bilhões por ano, com potencial perda de arrecadação de até R$ 10 bilhões anuais.

“As instituições facilitadoras de pagamento terão papel cada vez mais importante no processo para barrar o avanço as operações das bets clandestinas no país, porque sem meios financeiros essas operações perdem a capacidade de atuar”, pontua João Fraga, CEO da Paag, techfin facilitadora de pagamentos e que também promove soluções tecnológicas para o setor.

O relatório também alerta que propostas de aumento de tributação, como a criação da CIDE-Bets (contribuição de 15% sobre depósitos aprovada pelo Senado em dezembro de 2025), podem estimular a migração para sites estrangeiros não autorizados, já que operadores legais tendem a repassar custos ao consumidor.

Experiências internacionais mostram que excesso de impostos e restrições pode fortalecer o mercado paralelo, especialmente em ambientes digitais, onde a migração para plataformas no exterior ocorre de forma imediata.

Desafio para o segundo ano

O primeiro ano de funcionamento das regras consolidou o Brasil como um dos maiores mercados globais de apostas esportivas. No entanto, os dados indicam que o crescimento da arrecadação e do número de empresas registradas convive com um mercado ilegal que ainda concentra quase metade das operações.

O desafio para o segundo ano será equilibrar arrecadação, competitividade e proteção ao consumidor, reduzindo o espaço das plataformas clandestinas sem comprometer a viabilidade econômica das empresas que operam dentro das regras.

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