Um estudo recente sobre o setor de apostas no país reacendeu o debate sobre o crescimento das operações ilegais. O levantamento exclusivo da TMC, produzido pelo Instituto Esfera e coordenado pelo professor Luís Fernando Massonetto, da USP, analisa o impacto das apostas ilegais na economia brasileira e destaca o contraste entre o jogo clandestino e o mercado legalizado.
O conteúdo é utilizado como embasamento por André Gelfi, conselheiro e um dos fundadores do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que afirma que os dados reforçam um alerta feito há algum tempo às autoridades. Segundo ele, o Brasil convive hoje com um mercado clandestino que representa cerca de metade de toda a atividade de apostas.
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A discussão ocorre no contexto de propostas legislativas voltadas ao combate de organizações criminosas ligadas ao setor. Entre elas está o chamado PL anti-facção, que inclui a criação da CIDE-Bets, contribuição aprovada pelo Senado em dezembro de 2025.
A medida estabelece uma alíquota de 15% sobre os depósitos realizados nas plataformas de apostas, o que, de acordo com o relatório citado, pode ampliar a vantagem competitiva de operadores ilegais, especialmente em um ambiente digital em que os usuários conseguem migrar rapidamente entre diferentes sites.
Para Gelfi, medidas que reduzem a competitividade do mercado regulado podem acabar estimulando justamente o crescimento do setor clandestino.
“De fato o que o estudo traz é algo que a gente vem alertando para as autoridades há um bom tempo sempre que temos oportunidade. Temos um mercado clandestino funcionando no Brasil que é metade do mercado total de apostas”, afirmou durante entrevista para o Link TMC.
Na avaliação do conselheiro do IBJR, o efeito prático pode ser contrário ao objetivo de combater o crime. “Entendemos que uma medida que dificulte a competitividade do mercado regular vai incentivar uma alternativa que é o mercado clandestino”, conclui.
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