Uma visita do vereador Lucas Pavanato (PL) à Universidade de São Paulo (USP) terminou em confusão, agressões físicas e ao menos um estudante hospitalizado nesta quarta-feira (04/03), na Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste da capital. O caso foi registrado como “vias de fato” e “agressões mútuas”, sem prisões até o momento.
Pavanato montou uma tenda na Praça do Relógio, área de grande circulação de alunos, com uma placa que afirmava: “aborto é assassinato”. Segundo o vereador, o objetivo era promover um debate com estudantes sobre o tema.
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A presença do parlamentar gerou reação imediata. Alunos se concentraram em frente ao estande e passaram a gritar palavras de ordem. O clima de tensão evoluiu para confronto físico entre estudantes e integrantes da equipe do vereador, que estava acompanhado por apoiadores e seguranças privados.
Relatos de estudantes apontam que houve empurrões, socos e uso de spray de pimenta por parte da segurança. O vereador afirma que sua equipe agiu em legítima defesa após agressões e arremesso de objetos.
Durante a confusão, Pavanato foi retirado do local e colocado em um carro. Segundo relatos, um estudante que teria se colocado à frente do veículo acabou agredido e precisou de atendimento médico. Outros alunos também registraram ferimentos leves, como cortes e hematomas.
Versões apresentadas
Em declaração pública, o vereador afirmou que foi alvo de agressões, incluindo o lançamento de objetos e líquidos, e que seu veículo foi danificado. Ele também defendeu a presença de seguranças armados, alegando já ter recebido ameaças.
Estudantes ligados ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) afirmam que a ação teve caráter provocativo e criticaram a presença do parlamentar no campus.
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Em nota oficial, a Universidade de São Paulo repudiou qualquer forma de violência e reforçou que a universidade é espaço de debate plural e livre manifestação de opiniões, dentro dos princípios democráticos e do respeito mútuo.
Não é a primeira vez que a presença de grupos conservadores e do vereador no campus gera tensão. Em outras ocasiões, atos políticos na Cidade Universitária também provocaram reações de estudantes, especialmente na região da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).
