A Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, na quarta-feira (04/03) em São Paulo. O empresário foi transferido na manhã desta quinta-feira (05/03) para a Penitenciária 2 de Potim, no Vale do Paraíba. A operação investiga um esquema de fraudes financeiras envolvendo valores bilionários.
Após a prisão, Vorcaro passou a noite no Centro de Detenção Provisória de Guarulhos. No local, passou pelo procedimento padrão de corte de cabelo. Às 7h30 desta quinta, foi levado para Potim em caminhonete da Secretaria de Administração Penitenciária adaptada para transporte de presos. Durante o deslocamento, já vestia o uniforme da SAP: calça caqui e camiseta branca.
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Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, também teve prisão decretada. Ele se entregou na Superintendência da Polícia Federal. Foi transferido para a mesma unidade prisional.
A Penitenciária 2 de Potim abriga atualmente outros homens presos por casos de repercussão nacional. Vorcaro está em cela de isolamento, procedimento padrão na chegada. Após dez dias, será levado para o pavilhão do regime fechado.
Investigação apura crimes financeiros e espionagem
A prisão ocorreu na terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura a “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.
A operação identificou uma “milícia privada” chamada “A Turma”. O grupo era usado para intimidar e espionar adversários. A apuração descobriu um plano para atacar o jornalista Lauro Jardim.
As investigações revelaram acesso ilegal a sistemas da Polícia Federal, Ministério Público Federal, FBI e Interpol. Os acessos tinham como objetivo obter dados sigilosos. Dois servidores do Banco Central são suspeitos de receber vantagens indevidas. Eles teriam antecipado informações ao Banco Master.
O esquema financeiro envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação faz referência à falta de controles internos nas instituições envolvidas. A ausência de controles teria facilitado crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
Foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos. A Justiça também decretou sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões. O objetivo é interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado. A medida busca preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.
Outros alvos da operação
Além de Vorcaro e Zettel, foram alvos da operação o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão. Ele é apelidado de “Sicário”. O policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva também foi alvo. A investigação envolve ainda dois servidores do Banco Central, suspeitos de participação no esquema.
Histórico de prisões
Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado. Ele tentava embarcar para a Europa em avião particular que sairia do aeroporto de Guarulhos. Para a Polícia Federal, não havia dúvidas de que ele iria fugir do país.
O banqueiro era aguardado para depor na quarta-feira à CPI do Crime Organizado, em Brasília. O dono do Banco Master havia sinalizado que iria comparecer apenas à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O ministro André Mendonça havia decidido na terça-feira (03/03) que a ida dele à CPI seria facultativa.
A medida de prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Esta foi sua primeira ação como relator do caso. Ele assumiu a função no mês passado.
Defesas se manifestam
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele “sempre esteve à disposição das autoridades” e “jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”. Os advogados negaram “categoricamente as alegações atribuídas” ao banqueiro. Disseram confiar “que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”. A defesa reiterou ainda a “sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”.
Sobre Fabiano Zettel, a defesa declarou que “em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades”.
A Secretaria de Administração Penitenciária confirmou a transferência de Vorcaro para Potim.
