“Não houve perseguição a Flávio Dino”, diz jornalista alvo de busca e apreensão da PF

Blogueiro maranhense conta o seu lado da história, negando a perseguição, e dizendo apenas que fez “o papel do bom jornalismo”

Por Redação TMC | Atualizado em
Luís Pablo, jornalista
luispablojornalista via Instagram

O jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, do Blog do Luís Pablo. foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal há uma semana, na última terça-feira (10/03), acusado de perseguição ao ministro do STF Flávio Dino. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.

Em entrevista ao TMC 360 nesta terça-feira (17/03), o jornalista maranhense conta o seu lado da história, negando a perseguição, e dizendo apenas que fez “o papel do bom jornalismo”. Luís Pablo investigava o uso de carros oficiais pela família de Dino para uma reportagem.

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“Tem três datas em que eles dizem que eu teria seguido o ministro e a família dele. Essas três datas eu fiz o levantamento, eu estava viajando num dia, no outro eu já peguei o registro de uma entrada que eu fui visitar uma amiga minha no hospital no horário que eles colocam lá, e no outro registro eu estava vindo para a minha casa. Ou seja, essa questão do crime de perseguição já se acaba por aí”, diz o jornalista.

Segundo Luís Pablo, tudo começou quando ele recebeu um vídeo de uma fonte que mostrava a esposa do ministro Flávio Dino descendo de um carro com o filho para uma atividade de esporte. “Para evitar a exposição da criança, eu apenas congelei a imagem desse vídeo […] E nisso eu apurei a placa, apurei que o carro é do Tribunal de Justiça.”

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Depois disso, o jornalista diz ter encaminhado pedidos de esclarecimento para o e-mail institucional do ministro e do Tribunal de Justiça. “Eu fiz vários questionamentos, eles não me responderam nenhum. Não obtive resposta nem do Tribunal de Justiça e nem do STF. Um dos questionamentos que eu fiz foi se nesse pedido se tinha autorização para a família do ministro usar o carro até quando ele não estivesse aqui. Já que o carro é utilizado.”

Luís Pablo explica que, por já ter sido governador do Maranhão, Flávio Dino tem direito a uma estrutura no Estado. Mas acusa a família de usufruir a estrutura enquanto o ministro atua em Brasília no STF, o que seria irregular.

“São quatro carros blindados, um do presidente, do vice-presidente e do corregedor do tribunal. O quarto carro seria para autoridade do judiciário que vem em missão oficial no Maranhão para ser utilizado. Só que o carro está direto com a família do ministro. Por que eu falo isso? Porque o ministro vive em Brasília, ele vem para cá aos finais de semana, ele trabalha em Brasília. Só que o carro durante a semana fica com sua família”, explicou Luís Pablo.

“Tudo que eu falei, tudo que eu noticiei, eu apurei. Eu fiz o papel do bom jornalismo. Tudo que eu coloquei, eu coloquei inclusive documentos em que o STF encaminhou somente o pedido para ceder segurança policiais militares e o Tribunal de Justiça para o ministro quando ele estiver no Maranhão. Em momento algum esse documento fala sobre carro.”

O jornalista ainda falou sobre as medidas após ele ter publicado a denúncia. “Ou seja, depois da minha matéria foi que o STF encaminhou um novo documento solicitando o carro. Esse tempo todinho, antes de eu ter publicado, ele estava andando com o carro de forma irregular. Estava usufruindo o carro de forma irregular, porque não havia nenhuma autorização ou uma sessão administrativa do tribunal cedendo o carro para ele.”

Por que blogueiro virou alvo do STF?

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou medida de busca e apreensão da PF contra o blogueiro maranhense Luís Pablo, acusado do crime de perseguição contra o ministro Flávio Dino. As buscas foram cumpridas na terça-feira (10/03) pelos agentes na casa do blogueiro em São Luís. Foram apreendidos computadores e aparelhos celulares.

De acordo com a investigação, o blogueiro teria monitorado os deslocamentos do carro oficial utilizado por Dino e seus familiares no Maranhão para publicar reportagens sobre o suposto uso irregular do veículo, que pertence ao Tribunal de Justiça e foi cedido para a equipe de segurança do ministro.

O pedido de abertura de investigação foi feito pela PF e também contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ao chegar ao Supremo, o caso foi enviado para o ministro Cristiano Zanin. No mês passado, Zanin pediu a redistribuição do caso, que foi enviado para Alexandre de Moraes.

Veja a entrevista na íntegra no YouTube da TMC:

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