Passado de Cuca foi discutido pela diretoria santista antes da contratação

Clube aposta em perfil de ajuste de elenco, histórico no clube e experiência, mas também debateu questões extracampo antes da decisão

Por Alexandre de Aquino | Atualizado em
O técnico Cuca no Santos
(Foto: Ivan Storti/Santos FC)

O Santos definiu Cuca como o nome ideal para assumir o comando técnico em um momento delicado da temporada. Nos bastidores, a escolha foi sustentada por uma combinação de fatores esportivos e estratégicos, além de uma análise cuidadosa sobre questões extracampo.

Internamente, o treinador é muito bem avaliado pelo perfil de ajustar equipes e pela capacidade de trabalho individualizado com atletas. A diretoria entende que Cuca tem como uma de suas principais virtudes extrair o melhor de cada jogador, potencializando desempenhos e elevando o nível coletivo. Havia a percepção de que o trabalho anterior, sob comando de Juan Pablo Vojvoda, não conseguia maximizar o rendimento do elenco, considerado internamente superior à posição ocupada na tabela.

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Outro ponto decisivo foi o currículo. Cuca é visto como um profissional experiente, vitorioso e acostumado a lidar com ambientes de pressão. Além disso, pesa a favor o fato de conhecer profundamente o clube. Em 2020, ele levou o Santos à final da Copa Libertadores, campanha que reforçou sua identificação com a instituição e seu entendimento sobre o ambiente da Vila Belmiro.

Debate interno sobre extracampo

A contratação, no entanto, não se limitou ao campo esportivo. A diretoria também discutiu de forma relevante a condenação de abuso sexual envolvendo Cuca, tratando o tema com seriedade. O clube entende a gravidade do caso e não quer minimizar o tema, reconhecendo que questões fora das quatro linhas têm peso tão importante quanto o desempenho esportivo.

Mas um dos pontos que pesaram a favor do novo comandante foi seu posicionamento público em sua passagem pelo Athletico-PR, há cerca de dois anos. Na ocasião, Cuca reconheceu o erro, admitiu que demorou a se manifestar e afirmou compreender melhor a gravidade da situação. Ele também declarou estar disposto a aprender, evoluir e contribuir para o combate à violência contra a mulher.

Nos bastidores, esse posicionamento foi interpretado como um sinal de consciência e mudança de postura. O treinador destacou que o mundo evoluiu, que o futebol ainda carrega preconceitos e que deseja fazer parte de uma transformação por meio da educação e do debate. Também pediu desculpas por não ter se pronunciado antes.

Diante desse conjunto de fatores — desempenho esportivo, histórico no clube e reflexão sobre o extracampo —, o Santos consolidou a visão de que Cuca é, neste momento, o nome certo para tentar recolocar a equipe nos trilhos.

Leia mais: Santos troca comando técnico sob críticas e levanta debate sobre gestão nos bastidores

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