Senado aprova criminalização da misoginia no Brasil

Senado aprova por unanimidade projeto que torna misoginia crime de ódio com pena de 2 a 5 anos; proposta segue para Câmara

Por Redação TMC | Atualizado em
Ana Paula Lobato, autora do projeto, e Soraya Thronicke, relatora, na discussão do projeto
Ana Paula Lobato, autora do projeto, e Soraya Thronicke, relatora, na discussão do projeto. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

O Senado aprovou projeto que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito ou discriminação. A votação ocorreu na noite desta terça-feira (24/03) e registrou 67 votos favoráveis, sem votos contrários. A proposta segue para análise da Câmara dos Deputados.

O texto aprovado é um substitutivo apresentado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), relatora do projeto original da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA). A proposta define misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres”.

O projeto também insere a expressão “condição de mulher” entre os critérios de interpretação da Lei do Racismo, que já contempla cor, etnia, religião e procedência nacional.

Acesse o canal da TMC no WhatsApp para ficar sempre informado das últimas notícias

A mudança altera o tratamento penal dado à misoginia. Atualmente, o Código Penal equipara a misoginia à injúria e à difamação. Com a aprovação, o crime passa a ter pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa.

O substitutivo propõe que o Código Penal passe a reger apenas a injúria no contexto de violência doméstica e familiar. A injúria misógina ficaria de fora dessa classificação. Segundo Thronicke, a injúria misógina é “substancialmente mais grave que a primeira”.

Durante a votação em plenário, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) apresentou quatro emendas ao texto. A relatora acatou uma delas. A emenda altera a ementa da Lei do Racismo para incluir referência aos crimes resultantes de discriminação por preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional ou praticados em razão de misoginia. A ementa atual menciona apenas “crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor”.

“O projeto é para proteger a família e a dignidade e a liberdade das mulheres. A aprovação do projeto responde a uma realidade urgente. O ódio às mulheres não é abstrato: é estruturado, é crescente e ceifa vidas todos os dias”, afirmou a senadora Soraya Thronicke.

Leia mais: STF retoma julgamento sobre pagamento de penduricalhos

A proposta gerou divergências entre os parlamentares durante sua tramitação. Alguns senadores defenderam o projeto como proteção da família e das mulheres. Outros manifestaram preocupações relacionadas à liberdade de expressão e à possível banalização da Lei de Racismo.

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 07.577.172/0001-71